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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Gilles Villeneuve em Montreal (1978): septuagésima terceira vitória da Ferrari


     Uma semana depois de Watkins Glen, o pelotão da Formula 1 atravessava a fronteira e chegava ao Canadá, em um circuito novo, construído na Ilha de Notredame, em Montreal no mesmo local onde, nove anos antes, tinha ocorrido a Expo 67, e onde tinham também sido realizadas as provas de remo dos Jogos Olímpicos.

     Ter uma pista no meio do Rio
São Lourenço, provavelmente era uma maneira de Quebec capitalizar os feitos do jovem Gilles Villeneuve nas pistas europeias e mundiais, ao volante de um dos carros da Scuderia. Ótimo para a publicidade, mas péssimo para os pilotos, pois estes se queixaram que a pista era muito estreita, dificultando as ultrapassagens.

     Os organizadores decidiram que o grid seria restrito a 22 pilotos dos 28 inscritos. No pelotão, Ricardo Patrese estava de volta à Arrows, depois da GPDA o ter banido de correr a prova anterior, pois os pilotos achavam que ele era o culpado pelo acidente fatal de Ronnie Peterson, um mês antes, em Monza, enquanto que a Brabham inscrevia um terceiro carro para o jovem brasileiro Nelson Piquet. Na Ensign, Derek Daly iria correr sozinho.

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     Nos treinos ocorreu a batalha direta entre o Wolf de Jody Scheckter, o Lotus de Jean-Pierre Jarier e o Ferrari de Gilles Villeneuve. Jarier levou a melhor, batendo o sul-africano por um centésimo de segundo, enquanto que Villeneuve foi o terceiro. No quarto posto do grid ficava o Brabham de John Watson, enquanto que a terceira fila tinha o Williams de Alan Jones, que melhorava cada vez mais, e o Copersucar de Emerson Fittipaldi, na melhor qualificação do ano para a marca. Na quarta fila estavam Niki Lauda e o Shadow de Hans Joachim Stuck. Nelson Piquet qualifica-se numa satisfatória 14ª posição.

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     Seis pilotos não se qualificam na última corrida do ano: o Shadow de Clay Regazzoni, o Surtees de Beppe Gabbiani, o Merzário de Arturo Merzário, o Arrows de Rolf Stommelen, o ATS de Michael Bleekmolen e o Lotus privado de Hector Rebaque. Para Gabbiani, Bleekmolen e Stommelen, foram as suas ultimas aparições na Formula 1.

     No dia da corrida, sob céu nublado e muito frio, mais de cem mil pessoas foram assistir à etapa final do campeonato, esperançosos, talvez, em ver pela primeira vez um canadense no lugar mais alto do pódio. Na largada, Jarier arranca bem e consegue arranjar uma grande vantagem sobre o resto do pelotão, liderado por Jones, seguido por Scheckter, Villeneuve e Watson. Entretanto, Fittipaldi e Stuck envolvem-se em uma luta pelo quinto lugar e acabam fora nas primeiras curvas do circuito.

     Com o passar das voltas, a vantagem de Jarier aumenta consideravelmente, e todos acham que o piloto francês, que tinha guiado parte do ano à serviço da Arrows, iria finalmente ganhar a sua primeira corrida da carreira, uma vez que a liderança era absoluta. Quando ao seu companheiro Mário Andretti, este lutava pela quinta posição com Watson, quando colidiram, causando a desistência do piloto inglês, e a lentidão do americano. Acabou a corrida no décimo lugar, a uma volta do vencedor.


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     Na volta 18, Jones começa a sofrer com um furo no pneu, e perde o segundo lugar para Scheckter, e depois o terceiro posto para Villeneuve. Poucas voltas depois, o canadense alcança o seu futuro companheiro de equipe na Ferrari, e obtem a segunda posição, tendo agora, mais de 30 segundos de desvantagem para Jarier, que continuava isolado na liderança..... até ter problemas com a pressão do óleo. Então, no final da volta 50, Jarier vai para as boxes, e não há outra hipótese senão abandonar a corrida. Assim Gilles Villeneuve herda a liderança, para delírio dos locais.

     A vinte voltas do fim, Villeneuve tinha uma boa diferença sobre o resto do pelotão, e tinha somente de se controlar e levar o carro até ao fim, para conseguir o que era para muitos um sonho: um canadense ganhando em casa! No final, perante cem mil canadenses delirantes e o primeiro-ministro Pierre Trudeau, Gilles Villeneuve dava à Ferrari a quinta vitória do ano, e a primeira da sua carreira. Scheckter era segundo, no Wolf (seria o último pódio para a marca), e Carlos Reutmann o terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Arrows de Riccardo Patrese, o Tyrrell de Patrick Depailler e o Ensign de Derek Daly, na primeira vez que um piloto da Irlanda alcançava pontos na Formula 1.


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     E assim terminava a temporada de 1978, o ano em que a Lotus dominou, marcado pelo triunfo de Mário Andretti e pela tragédia do acidente fatal de Ronnie Peterson. Mas novas esperanças e novos projetos surgiam no horizonte…

     Melhores momentos do GP:


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Carlos reutemann em Watkins Glen (1978): septuagésima segunda vitória da Ferrari


     Três semanas antes, a Formula 1 passava por um momento ruim, com a carambola da largada em Monza, que levou à morte de Ronnie Peterson e a ferimentos graves no italiano Vittorio Brambilla. A morte do piloto sueco fora particularmente sentida, pois era um dos mais talentosos e populares do pelotão da Formula 1, e o título de Mário Andretti, conquistado algumas horas depois, não tinha sabor nenhum.


     Foi nesse ambiente depressivo que o pelotão da Formula 1 chegou a Watkins Glen, palco do GP dos Estados Unidos, a penúltima prova do campeonato. O pelotão da Formula 1 discutira durante os dias seguintes quem era o culpado do acidente, e precisavam rapidamente de um culpado. Foi fácil: o jovem e algo tempestuoso piloto italiano Riccardo Patrese foi considerado o culpado, e a GPDA decidiu excluí-lo da corrida americana. O italiano tentou reverter a decisão, tentando impedir a corrida em tribunal, mas não foi bem sucedido. A Arrows iria correr somente com um carro, com Rolf Stommelen ao volante.

     A Lotus teve que arranjar um novo piloto para as duas últimas provas deste campeonato, e a solução foi encontrada na figura de Jean Pierre Jarier, que fazia uma má temporada na ATS. Quanto à Surtees, teve que arranjar dois pilotos novos, para o lugar de Brambilla e Rupert Keegan, que tinha tido um acidente algumas semanas antes, em Zandvoort. A solução foi arranjar o italiano Beppe Gabbiani e o francês René Arnoux, que tinha ficado sem carro depois do encerramento das operações da Martini na Formula 1. A Wolf aproveitou as corridas na América para inscrever um segundo carro, para um jovem americano que iria ter sucesso… no seu país. Era Bobby Rahal.

     A Ensign inscrevia dois carros, para Derek Daly e para Brett Lunger, que tinha ficado sem equipe depois do encerramento das operações da BS Fabrications, e na Brabham, Bernie Ecclestone anunciava que o jovem brasileiro Nelson Piquet seria o companheiro de Niki Lauda para 1979, com efeito imediato. Só que a ideia de arranjar um terceiro carro para correr na pista americana foi por água abaixo, pois o chassis não ficou pronto a tempo.

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      Os treinos foram dominados por Mário Andretti, tanto na sexta quanto no sábado, fazendo naturalmente a “pole position”. Ao seu lado partia o argentino Carlos Reutmann, da Ferrari, enquanto que na segunda fila ficavam o Williams de Alan Jones, na melhor qualificação da equipe até então, e no quarto lugar do grid ficava o segundo Ferrari de Gilles Villeneuve. Niki Lauda era quinto, e tinha a seu lado o inglês James Hunt. Jean Pierre Jarier partia do oitavo lugar, Emerson Fittipaldi do 13º, René Arnoux partia da 21ª posição, um lugar atrás de Bobby Rahal.

     No warm-up, Andretti teve um acidente, o que fez com que usasse o chassis de Jarier, enquanto que o francês usaria outro chassis, que tinha chegado ao circuito na manhã da corrida, e isso iria condicionar o desempenho da equipe. Na largada, Andretti se mantém na liderança, com os Ferrari de Reutmann e Villeneuve, e o Williams de Jones logo atrás. Emerson Fittipaldi queimava a embraiagem na largada, mas conseguiu o milagre de engatar uma marcha, e andar uma volta para arrefecer o sistema. Quando conseguiu, começou a fazer uma corrida de trás para a frente, recuperando uma série de posições.

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     Entretanto, Mário Andretti percebia que seu Lotus não era tão bom como julgava, e cedo foi ultrapassado por Reutmann e Villeneuve, caindo para a terceira posição. Na volta 21, ainda foi ultrapassado por Alan Jones, no seu Williams, mas recuperou a terceira posição duas voltas depois, quando o motor de Villeneuve explodiu. Mas na volta 27, foi a vez do motor Cosworth do americano explodir, deixando desiludidos os torcedores americanos que tinham ido a Watkins Glen, para assistir à consagração do italo-americano. Na volta seguinte, foi a vez do motor Alfa Romeo do carro de Niki Lauda que “entregava a alma ao Criador”, fazendo com que o terceiro classificado fosse agora… o Renault Turbo de Jean Pierre Jabouille.

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     Só que o francês estava pressionado pelo Wolf de Scheckter e pelo Lotus de Jarier. Durante algum tempo, o francês aguentou os ataques, mas pouco tempo depois, os freios do Renault começaram a ceder, e foi ultrapassado, primeiro por Scheckter, e depois pelo endiabrado Jarier, que na volta onze, tinha parado nos boxes com um pneu furado, e tinha feito uma corrida de recuperação. Pouco depois, subia para terceiro, passando o sulafricano da Wolf, mas a três voltas do fim, todo o seu esforço cairia por terra, pois ficou sem gasolina! Em compensação, fez a volta mais rápida...

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     No final da corrida, Reutmann ganhou a sua quarta corrida do ano, na sua Ferrari, com Jones no segundo lugar, dando à Williams o primeiro pódio do ano. Jody Scheckter conseguiu o terceiro posto, Jabouille dava à Renault os primeiros pontos de um motor Turbo na história da Formula 1, e fechando os lugares pontuáveis, um magnifico Emerson Fittipaldi, no seu Copersucar e o McLaren-Cosworth de Patrick Tambay. Agora, máquinas e pilotos deslocavam-se para o Canadá, para a etapa final, num circuito novo, construido em frente à cidade de Montreal...

     Melhores momentos do GP:


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