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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Niki Lauda em Watkins Glen (1975): quinquagésima oitava vitória da Ferrari


     Com tudo decidido em termos de campeonato, os pilotos e as equipes consideravam o GP dos Estados Unidos de 1975, em Watkins Glen, como um mero dever  para cumprir no calendário, dado que esta era a última prova do ano, após o cancelamento do GP do Canadá. Num pelotão sempre em mudança, existiam, novamente, novidades entre os pilotos.
    
     Para começar, as equipas Maki, BRM e Surtees decidiram não comparecer em Watkins Glen, enquanto que Ensign e Hill decidiram inscrever apenas um carro em vez de dois. Em termos de pilotos, Chris Amon estava lesionado devido a um acidente na prova de Formula 5000 que inaugurava o circuito urbano de Long Beach, o qual iria ser usado dali a alguns meses pela Formula 1.  Lella Lombardi iria correr na Williams, pois a March tinha trazido apenas dois carros para Watkins Glen, que iriam ser guiados por Hans Joachim Stuck e Vittorio Brambilla. Em contraste, a Tyrrell inscrevia um terceiro carro para o francês Michel Leclere. 


     A Lotus foi buscar novamente o britânico Brian Henton no lugar de Jim Crawford, enquanto que na Copersucar-Fittipaldi, Wilson Fittipaldi estava de volta, curado das lesões na mão, que o impediram de participar na corrida anterior, em Monza. Para finalizar, a Penske estava de regresso à Formula 1 após uma corrida de ausência devido à morte de Mark Donahue. No seu lugar, tinham contratado o norte-irlandês John Watson.

     O fim de semana foi regido por polêmicas. Primeiro, as tensões entre a GPDA (Grand Prix Drivers Association) e a organização do GP americano relacionados com o dinheiro dos prêmios das inscrições, onde se chegou a pensar na não realização da prova. Mas o bom senso prevaleceu e a prova continuou.

     Na qualificação, Niki Lauda foi o melhor, tendo a seu lado o seu rival ao longo do campeonato, o McLaren de Emerson Fittipaldi. Na segunda fila estavam o Brabham de Carlos Reutemann e o Shadow de Jean-Pierre Jarier, enquanto que na terceira fila estavam o Parnelli de Mario Andretti e o March de Vittorio Brambilla. Tom Pryce, no segundo Shadow, era o sétimo, à frente de Patrick Depailler, no seu Tyrrell. Jochen Mass era o nono e fechando o "top ten" estava o segundo Tyrrell de Jody Scheckter.

      O dia da corrida estava agradável, como costuma acontecer nos dias de calor, em pleno outono. Na largada, os Williams não alinharam devido a motivos tão diversos como... visor embassado, no caso de Jacques Lafitte, e problemas eletricos, no caso de Lella Lombardi. Ainda tentou correr no carro de Laffite, mas... dera demasiado pequena para caber no carro!

     Quando a corrida começou, Lauda manteve a liderança, seguido por Fittipaldi, Jarier, Brambilla, Reutemann e Andretti. Mais atrás, Pace e Depailler colidem um com o outro e acabam ambos nas redes de proteção. A corrida continua com Lauda e Fittipaldi separados por um segundo, mas estabilizados. Atrás deles, Mass, que tinha perdido três posições quando desligou acidentalmente o seu motor, ficou na frente do carro de Regazzoni, danificando o bico do Ferrari e,  levando o mesmo para os boxes para uma parada demorada.

     Na volta 18, Regazzoni tomou uma volta do lídere. Deixou passar Lauda, e quando Fittipaldi se preparava fazer o mesmo... ficou à frente dele nas próximas seis voltas, ignorando terminantemente as bandeiras azuis. Quando o director de corrida mostrou a bandeira preta, Regazzoni o deixou passar. Luca de Montezemolo, o diretor desportivo da Ferrari protestou com a decisão da direcção da corrida, e Regazzoni encostou pouco depois, em sinal de protesto...

     Contudo, o estrago estava feito. Lauda ficaria definitivamente na frente na corrida, com Fittipaldi em segundo lugar. A grande ação aconteceu na disputa pelo terceiro posto. Como Jarier saiu da corrida e Brambilla ficou lento demais, a luta era entre Mass, Peterson, Sheckter e Hunt. Todos tinham condições de briga, mas no final foi o alemão da McLaren que levou a melhor. Quando cruzaram a linha de chegada, os restantes lugares pontuáveis ficaram nas mãos de James Hunt, no seu Hesketh, Ronnie Peterson, no seu Lotus, e Jody Scheckter, no seu Tyrrell.

     E assim terminava a temporada de 1975. A primeira temporada em que se viu a Ferrari ganhar ambos os títulos, onze anos depois de John Surtees, conseguindo bater todo o poderio da Cosworth. A temporada que estava para chegar iria trazer um pelotão completamente diferente, novos duelos, novas equipas e novos candidatos ao título. Assim sendo, Watkins Glen, como etapa final da temporada, era também o final de uma era para muita gente.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Clay Regazzoni em Monza (1970): quadragésima quarta vitória da Ferrari


     Quando o Circo da Formula 1 chega a Monza, o austríaco Jochen Rindt era o piloto que dominava o campeonato, com 45 pontos. Tinha ganho cinco corridas, quatro delas consecutivas, e tinha uma confortável margem em relação à concorrência. Bastava apenas ter uma boa pontuação numa das quatro corridas que faltavam para ser Campeão do Mundo.

[Rindt+70+2.jpg]

     A Lotus levava para Monza três carros modelo 72C para Rindt, John Miles e a nova estrela da equipe: um jovem brasileiro de 23 anos, cujo nome era Emerson Fittipaldi. O carro era radical, e muito eficiente. Rindt, depois das reclamações iniciais, estava até gostando do carro…

[Italia+70.bmp]

     Contudo, o maior rival da Lotus era a Ferrari. O seu modelo 312B era um excelente carro, e Jackie Ickx tinha-o demonstrado, ao conseguir 15 pontos nas duas últimas corridas (2º na Alemanha e vitória na Áustria). Para confirmar Ickx, dois grandes pilotos: o suíço Gianclaudio “Clay” Regazzoni (1939-2006) e o italiano Ignazio Giunti (1940-1971).

      Quando começaram os treinos classificativos de sexta-feira, os Lotus eram anormalmente lentos em relação à concorrência: Ickx, Regazzoni e Giunti eram os primeiros, o March de Jackie Stewart e o BRM de Pedro Rodriguez eram quarto e quinto, enquanto que Rindt era sexto. Rindt queria guiar a versão 49, mas Chapman não deixou, decidindo, em vez disso, trocar o motor, e concordou com a decisão de Rindt em tirar as asas traseiras. O austríaco diria depois: “Sem as asas faço mais 800 RPM nas retas, e sem ir no vácuo de outro”. Já o outro piloto da marca, John Miles, achou a ideia uma loucura e decidiu manter as asas.

[Monza+70.jpg]

     Sábado, 5 de Setembro de 1970. Começam as qualificações. Jochen Rindt tenta por todos os meios ultrapassar a Ferrari na sua própria casa. Sem as asas, ganha velocidade de ponta, mas tem dificuldades para fazer as curvas. Primeiro faz de modo cauteloso, e depois a toda a velocidade. Na metade da qualificação, Rindt chega à reta oposta, e ultrapassa o McLaren de Dennis Hulme, em direção à Curva Parabólica. Quando atinge o ponto de freada, um dos veios de travão cede e Rindt perde o controle do seu Lotus, chocando de frente com os guard rails.

[1970,+GP+Itália,+Monza,+momento+do+embate+de+Jochen+Rindt.jpg]

     Mas num acaso trágico, o Lotus 72C bate no exato local onde há um pilar de ferro que serve de suporte ao rail duplo. Essa parte absorve todo o impacto e o piloto, que tinha apenas apertados os cintos de cima (ele tinha recentemente aderido ao cinto de quatro pontos, mas nunca os usava) tem o corpo deslizado para baixo, partindo as pernas e os braços e rompendo fatalmente a traqueia.


[1970,+Lotus+de+Jochen+Rindt,+morte.jpg]

     Os socorristas acudiram-no imediatamente, e ainda estava vivo. Mas o socorro foi um desastre: sem um helicóptero na pista e, em vez de o levar para o centro médico do circuito, para estabilizá-lo e dar os primeiros socorros, levaram-no diretamente de ambulância para o Hospital Central de Milão, que ficava a uns 40 km. Quando chegaram neste local, já era tarde: Rindt estava morto.

[Italia+70.jpg]

     Colin Chapman decide então retirar os seus carros da corrida, e Icxx faz facilmente a pole position com o BRM de Rodriguez em segundo. Regazzoni e Stewart foram terceiro e quarto no grid. A corrida começa com Ickx na frente, controlando o andamento da concorrência. Na volta 25, a transmissão de Ickx quebra e o comando passa para as mãos do seu companheiro Regazzoni. Essa liderança não será mais largada até ao final, apesar das pressões de Stewart e de Jean Pierre Beltoise, que completaram o pódio.

     No final da corrida, a multidão invadiu a pista para celebrar a vitória de um piloto da casa. Mas os acontecimentos do dia anterior tinham definitivamente estragado o clima de festa, e um novo problema tinha sido levantado: será que iriam coroar como campeão do mundo um piloto morto?…

     Melhores momentos do GP:



Fonte:http://continental-circus.blogspot.com/2007/09/






segunda-feira, 13 de junho de 2011

Jacky Ickx em Österreichring (1970): quadragésima terceira vitória da Ferrari

    

     A temporada 1969 foi mais um ano dos motores Ford, agora também com a equipe Brabham. Mas o principal destaque do campeonato ficou por conta do piloto inglês Jackie Stewart. Ele ficou vinte e seis pontos à frente do segundo colocado, o belga Jacky Ickx. Tamanha superioridade garantiu a sua equipe, a Matra, o campeonato mundial de construtores. A Ferrari não obteve vitórias nesta temporada.

    Oito equipes passaram a usar o motor Ford Cosworth na temporada 1970. Justamente o ano no qual a Ferrari finalmente conseguiu desenvolver um equipamento capaz de equilibrar a disputa.

     No entanto, nem mesmo as quatro vitórias da escuderia italiana foram suficientes para combater o alto desempenho da Lotus e seu principal piloto, o austríaco Jochen Rindt.

     Porém, um acidente no GP da Itália fez o piloto perder a vida. Mesmo faltando mais três provas para acabar o campeonato ninguém conseguiu superá-lo na tabela de classificação e Rindt foi campeão.

     Nessa temporada também houve a primeira vitória de um piloto brasileiro na Fórmula 1. Emerson Fittipaldi, companheiro de Rindt na Lotus, saiu vitorioso no GP dos Estados Unidos.

     O primeiro Grande Prêmio da Aústria  foi realizado em 1964, no aeródromo local. A prova foi ganha pelo Ferrari de Lorenzo Bandini, na sua unica vitória na Formula 1, e onde um jovem piloto da casa, Jochen Rindt, correu pela primeira vez na sua carreira na categoria máxima do automobilismo. Seis anos mais tarde, Rindt era estrela mundial e o governo local decidiu construir uma pista rápida nas encostas das montanhas que circundavam o vale de Speilberg, na provincia da Styria.

     A pista era rápida, desafiadora, com curvas grandes... mas sem escapatórias, o que a tornava perigosa. Mas em 1970, a segurança não era levada em conta, apesar dos acidentes fatais serem frequentes. E quando a Formula 1 chegou a Zeltweg, a 16 de Agosto de 1970, o pelotão da Formula 1 já tinha visto morrer o neozelandês Bruce McLaren, a 2 de Junho, e o inglês Piers Courage, em Zandvoort, dezenove dias depois.

     Acidente de Bruce Mclaren:


     Acidente de Piers Courage:


[Austria+70.bmp]

      Mas os espectadores não queriam saber disso, queriam ver o seu heroi local, Jochen Rindt, a bordo de uma máquina vencedora: o novo Lotus 72. Rindt tinha ganho a prova anterior, em Hockenheim, e liderava destacadíssimo, com 45 pontos, contra... os 25 pontos do segundo, Jack Brabham. O belga Jacky Ickx tinha apenas 10 pontos, e não tinha ganho qualquer corrida nesse ano.

     O companheiro de Jacky Ickx era um estrante na Formula 1: o suiço Clay Regazzoni, e o Ferrari 312B começava a ser uma máquina forte, depois de um inicio titubeante. Ickx tinha sido segundo na corrida anterior, em Hockenheim, lutando pela vitória com Rindt. Este já não achava tão fácil ganhar, mas na sua mente, isso não importava: ele só queria ser Campeão do Mundo para que pudesse abandonar a competição de vez. O que ele não sabia era que só teria mais três semanas de vida...

     Na lista de inscritos, Havias duas ausências: o Lotus de Graham Hill, inscrito pela Rob Walker Racing, que estava à espera de um modelo 72, e o sueco Ronnie Peterson, que no seu March 701 inscrito pela Antique Automobiles, ficara sem motores. Em compensação, a Ferrari inscrevia um terceiro carro para o italiano Ignazio Giunti. Na De Tomaso-Williams, sem Brian Redman, que tinha compromissos na Endurance, Frank Williams teve de ir buscar o australiano Tim Schenken para correr em Zeltweg. 



     Na qualificação, Rindt fez a pole position, tendo ao seu lado o Ferrari de Clay Regazzoni. Na segunda fila estava o outro Ferrari de Jacky Ickx, enquanto que no quarto posto estava o March de Jackie Stewart, grande amigo de Rindt. A terceira fila era ocupada pelo terceiro Ferrari de Ignazio Giunti e pelo segundo March de Chris Amon, enquanto que o Matra de Jean Pierre Beltoise era o sétimo, à frente do carro de Jack Brabham. Fechando o "top ten" estava o March do jovem francês Francois Cevért e o segundo Lotus de John Miles.


     Na largada, Rindt é surprrendido pelos três Ferrari, que se dão muito bem com os ares austriacos. Regazzoni é o primeiro lider, mas cede a poisção para Ickx no inicio da segunda volta, e os dois carros andam a seu bel-prazer até ao final da corrida.


     Quanto a Rindt, é quarto classificado no final da primeira volta, à frente de Brabham, mas ele já devia pensar um pouco nos pontos, tamanha era a diferença para eles. Na volta 21, depois de passar o Ferrari de Giunti, desiste em plena reta de largada com o motor quebrado. E se antes dominavam, agora os Ferrari esmagavam a seu bel-prazer e no final, o belga Ickx é o vencedor, com Regazzoni a menos de um segundo, mas ambos com mais de um minuto do terceiro classificado, o alemão Rolf Stommelen. Será o único pódio de sua carreira.

     Nos restantes lugares pontuáveis ficariam os BRM de Pedro Rodriguez, que de um péssimo 22º posto na largada, fez uma corrida de recuperação até ao quarto lugar final, o outro BRM de Jackie Oliver e o Matra de Jean Pierre Beltoise conseguiram ficar à frente de Giunti. Já Emerson Fittipaldi era 15º classificado, a cinco voltas do vencedor.

     Melhores momentos GP:


Fonte: http://continental-circus.blogspot.com/2007/07/

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