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sábado, 1 de outubro de 2011

Gilles Villeneuve em Watkins Glen (1979): septuagésima nona vitória da Ferrari


     Uma semana depois de Montreal, a Formula 1 chegava a Watkins Glen para aquela que viria a ser a última corrida da temporada de 1979, dividida definitivamente em duas, a primeira parte onde Ligier e Ferrari disputavam entre si a liderança das corridas, e a segunda parte, onde se assistiu à emergência da Williams como a equipa dominante no pelotão, com a Ferrari logo a seguir, e com os lampejos da Renault, com a sua tecnologia Turbo a contrariar o pelotão dominado pelos motores Cosworth. Uma tecnologia potente, mas frágil.

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     Não havia novidades no pelotão da Formula 1 em relação a Montreal, mas havia certas tendências do que poderia acontecer na temporada seguinte. A Brabham, sem Niki Lauda, com Ricardo Zunino no seu lugar, e com o novo chassis para 1980, o BT49, com o motor Cosworth, mostrava que estava no caminho certo, pois o salto de qualidade em relação à época em que usavam o motor Alfa Romeo era evidente. Além disso, o jovem Nelson Piquet, em sua primeira temporada completa na Formula 1, aprendendo com Lauda, parecia ter carro para demonstrar o seu talento latente.

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     A Alfa Romeo, passada a polêmica de Montreal, alinhava os seus dois carros, também com um novo chassis. Bruno Giacomelli e Vittorio Brambilla experimentavam o N179, esperando que este se mostrasse competitivo perante o pelotão de Cosworths. Contudo, depois da qualificação, a equipe da marca italiana sabia que teria um logo trabalho pela frente, se queriam ter um carro competitivo em 1980.

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     Inscritos trinta carros para Watkins Glen, somente 24 poderiam alinhar para a corrida. Na sexta-feira, a chuva caiu dutante toda a sessão de treinos e poucos entraram na pista. Gilles Villeneuve foi um deles, e decidiu fazer voltas rápidas em piso molhado. No final, todos ficaram de boca aberta quando viram que o seu melhor tempo era... nove segundos mais rápido do que o segundo classificado. Contudo, no dia seguinte, o sol apareceu, e os pilotos marcaram os seus tempos.

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     O melhor na qualificação foi Alan Jones, no seu Williams. O piloto australiano fazia a sua terceira pole position do ano, e tinha a seu lado o Brabham-Cosworth de Nelson Piquet, que demonstrava o seu talento e o excelente chassis que tinha em mãos. Na segunda fila estavam o Ferrari de Gilles Villeneuve e o Ligier de Jacques Laffite. Na terceira fila encontravam-se o segundo Williams de Clay Regazzoni e o Lotus-Cosworth de Carlos Reutemann, e na quarta alinhavam os Renault de René Arnoux e Jean-Pierre Jabouille. O segundo Brabham de Ricardo Zunino e o Tyrrell-Cosworth de Didier Pironi fechavam o "top ten".

     Seis pilotos ficaram de fora desta corrida. Eram eles o Shadow de Jan Lammers, o Alfa Romeo de Vittorio Brambilla, o Rebaque de Hector Rebaque, o Merzario de Arturo Merzário, o Arrows de Jochen Mass e o Copersucar-Fittipaldi de Alex Dias Ribeiro.

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     No dia da corrida, as possibilidades de chover eram de 50 %. Alguns minutos antes da corrida, uma chuva forte tinha alagado a pista, apesar desta ter diminuido no momento da largada. Todos tinham mudado de pneus, exceto dois pilotos: Nelson Piquet e Mario Andretti. Ambos não tinham nada a perder, logo... No momento da largada, houve confusão, com Jody Scheckter e o Wolf de Keke Rosberg, que sairam da pista na primeira curva, mas regressaram à corrida, enquanto que Giacomelli acabava na barreira de proteção, com a direção torta. No final da primeira volta, Villeneuve era o lider, com Jones logo atrás e Reutemann estava em terceiro.

     A chuva continuava fraca, e os pilotos tinham dificuldades em permanecer em pista. Na volta 2, o Ligier de Jacky Ickx, que tinha sido o último na qualificação, tinha conquistado doze posições, mas ao aproximar-se da traseira do Tyrrell de Derek Daly, errou na frenagem e bateu no carro do irlandês. Assim acabou a última corrida do piloto belga na Formula 1. Na volta seguinte era a vez do seu companheiro Laffite... no mesmo lugar! Mais uma volta e era a vez de Carlos Reutmann  ficar pelo caminho.

     A partir da volta dez, a chuva veio com maior intensidade, e os pneus Michelin trabalharam melhor na chuva do que os Goodyear. Assim, Villeneuve conseguiu distanciar-se de Jones e Regazzoni, que o seguiam nas posições posteriores. Mas oito voltas mais tarde, a chuva parou e o asfalto começou a secar, favorecendo os Goodyears, e em consequência, os Williams. Por essa altura, Scheckter, que já era terceiro colocado, mudou os pneus para seco, mas acabou tendo azar, pois mal entrou na pista e acabou rodando.

     Somente a partir da volta 25, os pilotos acharam por bem trocar de pneus. Aos poucos, os pilotos fizeram isso, exceto três deles: os Ferrari de Villeneuve e Scheckter e o Renault de Arnoux. Curiosamente, estes três usavam Michelin. Mas como eles não eram tão eficazes como os Goodyear, Jones conseguiu alcançá-los, à razão de dois segundos por volta. Na volta 32, o australiano estava na frente da corrida. Duas voltas depois, Villeneuve trocou para slick e voltou à pista 35 segundos atrás de Jones.

     Parecia que a corrida estava decidida a favor do australiano. Mas na volta 37, Jones vai aos boxes para nova troca. Os mecânicos fazem a devida operação, mas a pressa faz com que o mecânico que operava o macaco pneumático colocasse o carro muito cedo no chão, uma vez que, o mecânico que operava a roda traseira direita ainda não tinha concluido a operação. Resultado: mal Jones entrou em pista, a roda soltou e ele não teve outro opção, a não ser encostar e abandonar.

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     O erro da Williams significou a vitória certa para Villeneuve, pois tinha quase uma volta de vantagem  para Scheckter. O sulafricano acreditava que estava a caminho de mais um bom resultado, quando na volta 48, um pneu estourou, longe demais dos boxes. Nesta altura, só havia nove carros na pista. Arnoux chegou ao segundo posto, com Pironi logo atrás. Derk Daly estava a caminho de um bom quarto posto, aproveitando a desistência de Piquet, devido a um problema de transmissão. Mas o irlandês perdeu o controle do seu carro na volta 52, e o lugar caiu nas mãos de Elio de Angelis, no seu Shadow.

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      As coisas permaneceram assim, com sete carros cruzando a linha de chegada, e com Gilles Villeneuve como vencedor. René Arnoux e Didier Pironi acompanharam-no ao pódio, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis havia algumas novidades: Elio de Angelis conquistava aos 21 anos os seus primeiros três pontos da carreira (e os últimos da história da Shadow), Hans Stuck conseguia dois pontos para a Shadow, curiosamente na sua última corrida da carreira na Formula 1, e para fechar os lugares pontuáveis, estava o McLaren de John Watson.

     Melhores momentos do GP:


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Carlos Reutemann em Long Beach (1978) septuagésima vitória da Ferrari


     A temporada de 1978 ia para a sua quarta corrida da temporada, mas o Grande Circo da F1 ainda estava viajando pelos continentes, antes de fazer a sua "aterragem" na Europa, onde se desencadearia o restante da temporada. A quarta etapa do campeonato iria ser a primeira de duas paradas nos Estados Unidos, e desta vez seria nas ruas de Long Beach, em uma prova que tinha estreado três anos antes, mas já era um grande sucesso comercial.

    Nesta altura tínhamos um campeonato bem disputado, com três vencedores diferentes, em três Grandes Prêmios, e um grande equilibrio entre as equipes com capacidade para ganhar, como a Lotus, Ferrari, Tyrrell ou Brabham, com a McLaren apresentando problemas, e a novata Arrows a surpreender.

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      Nas ruas de Long Beach, contudo, o grande dominador dos treinos seria... a Ferrari. Numa luta com Niki Lauda, o argentino Carlos Reutmann conseguiu superá-lo, tendo a seu lado uma pequena surpresa: o seu companheiro, o canadense Gilles Villeneuve. Na segunda fila, Niki Lauda tinha a seu lado o americano Mario Andretti, enquanto que na terceira fila, John Watson e Ronnie Peterson ficavam com o quinto e sexto posto, respectivamente.

     Após eles, James Hunt era sétimo, o novato Riccardo Patrese era nono, batido pelo Williams de Alan Jones, que começava a mostrar seu trabalho. Quanto a Emerson Fittipaldi, era apenas o 15º no grid. Os organizadores de Long Beach tiveram que fazer um sistema de pré-qualificação, visto que estavam inscritos 31 carros. E havia um estreante: o irlandês Derek Daly, que tinha ficado com o lugar na Hesketh depois de ter mostrado serviço no International Trophy, em Silverstone. Infelizmente, ele não iria se qualificar, tal como aconteceu a Keke Rosberg, os americanos Brett Lunger e Danny Ongais, o mexicano Hector Rebaque e o italiano Lamberto Leoni.

     Didier Pironi também estava no rol dos não-qualificados, mas dois dos pilotos que estavam à sua frente, o inglês Rupert Keegan e o alemão Hans Joachim Stuck, tiveram acidentes durante o "warm-up", com os carros sem qualquer hipóteses de poder correr, então Pironi ficou com o último lugar disponível.

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     No dia da corrida, 75 mil espectadores e um céu limpo aguardavam os pilotos para a largada do GP dos Estados Unidos (Oeste). No momento da largada, Reutmann é surpreendido por uma manobra de John Watson, que o obriga a alargar a trajectória e a perder o primeiro lugar para o seu comapanheiro, Gilles Villeneuve. Nessa manobra, Niki Lauda aproveita e salta para o terceiro posto, atrás de Watson, e o argentino cai para o quarto lugar.

     Ronnie Peterson perde dois lugares para Alan Jones e James Hunt. Contudo, na terceira volta, o britânico bate no muro e perde uma roda, abandonando na hora, e três voltas mais tarde, é a vez de John Watson abandonar com mais um motor Alfa Romeo quebrado.

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     Com tudo isto, o grande beneficiário foi... Alan Jones. Em quarto lugar, o australiano chegava rapidamente no Lotus de Andretti, que tinha feito uma má escolha de pneus. Depois de o ultrapassá-lo na volta 19, partiu em busca do trio da frente.

     Entretanto, Gilles Villeneuve impressionava na frente, aguentando os ataques de Lauda, que por sua vez era pressionado por Reutmann. Contudo, na volta 28, no final da reta de chegada, o Brabham do austríaco sofre uma falha nos freios e passa reto na área de escape, ficando por lá. A partir daí, os Ferrari dominavam, e Villeneuve era o líder.

     Tudo continua assim até à volta 39, mais ou menos a metade da corrida. Então, Villeneuve apanha dois retardatários, o suiço Clay Regazzoni, num Shadow, e o Renault de Jean Pierre Jabouille. Em vez de esperar para os ultrapassá-los, Villeneuve decide arriscar numa zona onde dificilmente caberiam dois carros. Resultado: colisão e desistência do canadense.


     Sendo assim, o argentino agora tinha que se preocupar com Alan Jones. O piloto da Williams tinha cravado na volta 29 a sua melhor volta da corrida (a sua primeira e a da Williams) e estava se aproximando do argentino, na tentativa de assumir a liderança. Contudo, na volta 47, as asas da frente de Jones quebram, devido a um defeito de fábrica, e ele fica lento, perdendo uma série de posições, caindo para o sétimo lugar.

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     Reutmann chega em primeiro lugar, e obtem a sua segunda vitória, passando a ser líder, sendo igualado por Mario Andretti, que ao chegar em segundo lugar, fica também com 18 pontos. Patrick Depailler acabava a corrida no terceiro posto, ficando também com terceiro lugar na tabela de classificação, com 14 pontos. Peterson chegou em quarto, Jacques Laffite foi quinto e Riccardo Patrese dava à Arrows o primeiro ponto da sua história.



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Niki Lauda em Zolder (1975): quinquagésima quarta vitória da Ferrari


     Quinze dias depois de Mônaco, onde Niki Lauda conseguia a sua primeira vitória do ano, a Ferrari chegava a Zolder com o objetivo de capitalizar essa vitória para lançar as candidaturas para o título. Apesar de naquele ano ter havido cinco vencedores diferentes, esperava-se que em Zolder, as coisas fossem de novo favoráveis à Ferrari.

     No pelotão da Formula 1, a Parnelli e a Ensign não estavam presentes no grid por vários motivos. Mario Andretti tentava a  sorte nas 500 Milhas de Indianápolis, enquanto que Roelof Wundernik tinha se lesionado numa corrida de Formula 5000 e a equipe primou pela ausência. Na Embassy-Hill, com Graham Hill já nos bastidores, e Rolf Stommelen ainda se recuperando dos ferimentos, foram contratados dois pilotos para a ocasião: o britânico Tony Brise e o francês Francois Migault.

      Os treinos tiveram alguns episódios inusitados, e um deles foi no mínimo estranho. O Lotus de Ronnie Peterson teve um problema mecânico e encostou. Contudo, este ficou numa posição perigosa para os outros pilotos, e os organizadores decidiram aplicar uma multa.


     No final das sessões de qualificação, Niki Lauda foi o "poleman" em Zolder, mas os tempos foram todos feitos na Sexta-feira, porque os treinos de sábado foram sob chuva. Ao seu lado estava o Brabham de José Carlos Pace, enquanto que a segunda fila, surpreendente, aparecia o March de Vittorio Brambilla e o segundo Ferrari de Clay Regazzoni. Em quinto lugar no grid estava o Shadow de Tom Pryce, tendo a seu lado o segundo Brabham de Carlos Reuetmann. Outra grande surpresa era o sétimo lugar do Hill de Tony Brise, que conseguira bater o McLaren de Emerson Fittipaldi, o oitavo no grid. O Tyrrell de Jody Scheckter e o segundo Shadow de Jean Pierre Jarier fechavam o "top ten" nesta corrida belga.


     A corrida começa com Pace largando melhor que Lauda, mas ambos iam ser superados pelo italiano Brambilla, que era o lider no final da primeira volta. Mais atrás, o Surtees de John Watson e o McLaren de Jochen Mass colidem, ficando o alemão pelo caminho. Na volta seguinte, uma nova colisão entre o Hesketh de Alan Jones e o Williams de Jacques Laffite resultou no abandono do piloto australiano, ao mesmo tempo em que o segundo piloto da Williams, o italiano Arturo Merzário, desistia com problemas na embreagem.

     Poucas voltas depois, Brambilla estava na liderança da corrida, quando Pace começou a ter problemas com os freios. Aliás, isto viria a ser a praga de todos os pilotos, especialmente na parte final. O italiano ficou na liderança por algumas voltas, até que os seus freios também começaram a ceder, sendo ultrapassado por Lauda. Pouco depois, perdia o segundo posto para o sul-africano da Tyrrell, que vinha fazendo uma prova de recuperação e chegava ao segundo posto por volta do primeiro terço da corrida.


     À medida que a corrida prossegia, a resistência dos carros começava a se esgotar. Pace tinha problemas para controlar a direcção do seu carro, e depois ficou sem a terceira marcha, caindo na classificação geral. A mesma coisa aconteceu com Brambilla, especialmente depois de sofrer com um pneu furado e ir aos boxes, entregando o terceiro posto a Reutemann, que tinha Regazzoni e Fittipaldi na sua "cola".


     Mais tarde, Brambilla desistiu, vitima dos freios, enquanto que fittipaldi sofreu com o mesmo problema no final da corrida, perdendo três lugares nas voltas finais e acabando em sétimo, fora dos pontos. Mas o grande vencedor foi Niki Lauda, que conseguia a sua segunda vitória consecutiva e provavelmente se tornava o candidato numero um ao título mundial. Jody Scheckter e Carlos Reutemann subiam ao pódio, enquanto que o segundo Tyrrell de Patrick Depailler, o segundo Ferrari de Clay Regazzoni e o Shadow de Tom Pryce ficavam com os restantes lugares pontuáveis.

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