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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Presidente da Ferrari defende liberação de mais testes na F1


     A Ferrari pressiona a organização da F1 para a liberação de mais testes durante a temporada. Segundo o presidente da equipe, Luca di Montezemolo, a medida é crucial para a formação dos novos pilotos que entram na categoria.

     De 2009 a 2011, a realização de testes no meio da temporada foi totalmente proibida pela FIA, sendo autorizada a promoção de um número limitado de sessões no período da pré-temporada. Para 2012, foi liberado um teste durante a temporada em Mugello, dos dias 1ª a 3 de maio. Entretanto, a medida não representou um aumento na quantidade de treinos, já que os três dias programados foram subtraídos dos 15 da pré-temporada.

     Ao comentar o assunto, Montezemolo se disse favorável à restrição, mas ponderou que os atuais limites são muito rigorosos e impedem as novas estrelas do automobilismo de serem devidamente avaliadas.

     "Eu fui a favor da redução dos testes, porque nós exagerávamos antes", reconheceu. "Mas deve haver um meio termo. É estranho que um dos esportes mais profissionais do mundo não permita que seus atletas pratiquem. Isso é ruim para nossos pilotos. Nós possuímos a Academia [de Pilotos] da Ferrari, onde temos alguns competidores potencialmente bons, e eu não posso fazê-los andar com carros GT ou kart", alegou.

     O mandatário da escuderia italiana também questionou a eficácia da restrição no que tange à economia de dinheiro. Ele explicou que a Ferrari concordou com o acordo pensando na situação financeira crítica das equipes menores, mas ressaltou que seu time tem que investir pesado em novas tecnologias de simulação para substituir o trabalho em pista.

     Nas áreas de simuladores, acredita-se que a Ferrari esteja menos avançada que suas concorrentes, mesmo tendo feito um progresso intensivo nos últimos anos. Isso poderia indicar que a escuderia de Maranello se beneficiaria da liberação de testes, especialmente na questão do desenvolvimento e por ser proprietária de um autódromo particular, Fiorano. No entanto, Montezemolo negou que o circuito apresente vantagens para a equipe perante as rivais.

     "Eu não posso testar em Fiorano, mas sou obrigado a investir grandes quantias de dinheiro em simuladores", reclamou. "E Fiorano não nos dá nenhuma vantagem, porque virou quase um kartódromo. Mugello é fantástico [para testes da F1], mas Fiorano não", argumentou.

     O italiano acrescentou que os testes também serviriam para "entreter convidados corporativos" fora dos fins de semana de corrida, algo que ele acredita ser crucial para a manutenção da saúde econômica da F1 e das escuderias, além de aumentar a exposição midiática nos períodos entre GPs. "Estamos diante de uma grande crise e temos que dar retorno aos patrocinadores. Os testes representam oportunidades de organizar eventos e entreter clientes fora das corridas. A F1 devia ser melhor orientada na área de marketing", criticou.

   "Temos 100 circuitos na Europa não autorizados para testes. Na Itália, poderíamos correr em Monza e testar em Mugello, por exemplo. Ou, na Inglaterra, correr em Silverstone e testar em Brands Hatch", defendeu. "Também proporcionaria mais presença da F1, dos patrocinadores e dos autódromos na TV", finalizou.

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