A temporada 1964 de Fórmula 1 foi emocionante. A Ferrari voltou a ganhar títulos – faturou o campeonato de pilotos e construtores. Enquanto a BRM e Lotus lutaram até o fim.
Numa disputa acirrada, John Surtees ganhou o título por um ponto de diferença. Graham Hill até teria somado mais pontos do que ele, mas como apenas os seis melhores resultados eram somados o título ficou mesmo com o piloto da Ferrari.
Depois da ação em Brands Hatch, a Formula 1 chegava ao mítico circuito alemão de Nurburgring com a novidade que muitos esperavam com alguma expectativa: a estreia da Honda na Formula 1. Um chassis construido pela fábrica e pilotado pelo americano Ronnie Bucknum estava pronto, mas cedo se verificou que era demasiado lento para os Lotus, BRM, Brabham e Ferrari que dominavam o pelotão. Bucknum foi o último dos 22 pilotos a qualificar-se, um minuto atrás do "poleman". Mas apesar desse mau começo, a Honda tinha vindo para ficar.
A BRP era a grande ausência desta corrida, mas em compensação estava o velho Porsche 718 do conde holandês Carel Godin de Beaufort. Um personagem divertido, que decidiu fazer, só por gozação, a qualificação no mítico Nurburgring, com uma cabeleira, para imitar os Beatles. Mas no sábado, já estava mais a sério quando tentou a sua sorte com o velho Porsche cor de laranja da Ecurie Maasbergen, as cores nacionais. Na Bergwerk, perdeu o controle do seu carro e saiu da pista, batendo em uma árvore. Levado para o hospital com graves ferimentos na cabeça, no dia da corrida lutava pela vida.
Na qualificação, o melhor foi o Ferrari de John Surtees, que demonstrava que naquele ano, era um verdadeiro candidato a desafiar Jim Clark e Graham Hill na luta pelo título. Surtees tinha batido Clark, o americano Dan Gurney e o italiano Lorenzo Bandini, no segundo Ferrari, que partilhavam a primeira fila num estranho esquema de 4-3-4 que os organizadores tinham arranjado, após uma primeira experiência cinco anos antes. Na segunda fila estavam o BRM de Hill, Jack Brabham no seu próprio carro, e o Cooper de Bruce McLaren. Na terceira fila estava o segundo Cooper do americano Phil Hill, o Lotus BRM privado de Chris Amon e o Brabham-BRM de Jo Siffert.
Sob um dia de sol, pouco usual naquela região, máquinas e pilotos partiram para o GP da Alemanha. O primeiro lider foi Bandini, seguido por Clark, Surtees, Gurney e Hill. No entanto, pouco depois, Clark assumiu a liderança. Pensava-se que seria o piloto da Lotus o grande dominador da corrida, mas o motor Climax falha na segunda passagem pela meta, e Surtees passa para a frente. Clark aguentou até á volta sete, altura em que desistiu, com problemas no motor.
Nessa altura, a luta era entre Surtees, Hill e Gurney, mas a partir da décima volta, o Brabham do piloto americano começa a falhar e perde várias posições. Iria acabar a corrida na décima posição, a uma volta do vencedor. Depois, Hill diminui o ritmo e deixa Surtees escapar para que ele pudesse ganhar a corrida. Depois do inglês da BRM, Lorenzo Bandini completou o pódio. O suiço Jo Siffert, no seu Brabham privado, o veterano francês Maurice Trintrignant (47 anos) e o sul-africano Tony Maggs completaram os lugares pontuáveis. Quanto a Ronnie Bucknum e o seu Honda, a sua prova tinha acabado na volta onze, vítima de uma rodada. Mas para a Honda, era apenas o começo de uma longa caminhada.
No dia seguinte, noticias vindas de Colonia ditariam o pior: o holandês Carel Godin de Beaufort não resistiu aos ferimentos e morreu aos 30 anos de idade. Era o fim esperado de um "gentleman driver" com carisma, conhecido pelo seu datado Porsche laranja.
A temporada 1961 de Fórmula 1 foi marcada pelo ressurgimento da Ferrari e o primeiro título de um piloto norte-americano, Phil Hill.
Mas ela também foi caracterizada por um novo desastre. Companheiro de Hill, o piloto alemão Wolfang von Trips sofreu um acidente no GP da Itália que lhe tirou a vida e de outros quatorze espectadores.
Von Trips estava na luta pelo título quando o acidente aconteceu. Ele terminou o campeonato há apenas um ponto do colega de equipe.
Depois de uma longa espera, os amantes da Formula 1, naquela temporada de 1961, iriam ter em menos de uma semana duas corridas. Depois de Monte Carlo, onde Stirling Moss bateu os Ferrari numa demonstração memórável, máquinas e pilotos rumaram a Zandvoort, apenas seis dias depois da demonstração do piloto britânico no Lotus 18 pertencente à Rob Walker Racing Team.
Na lista de inscritos haviam entradas e substituições em relação à prova monegasca. Colin Chapman substituia Innes Ireland, ainda machucado do seu acidente nos treinos, pelo seu compatriota Trevor Taylor. Quinze pilotos iriam alinhar na prova holandesa, mais duas inscrições de reserva para Masten Gregory e Ian Burgess. E os inscritos eram praticamente os mesmos de Mônaco, excetuando-se o quarto Porsche, da local Ecurie Maasbergen, guiado pelo Conde Carel Codin de Beaufort.
E se em Mônaco, o traçado estreito deu possibilidades a Lotus de Stirling Moss, em Zandvoort houve o dominio da Ferrari: Phil Hill fez a pole-position, seguido pelo alemão Wolfgang Von Trips, e outro americano, Richie Ginther, ficou com o terceiro posto. Na segunda fila ficou o Lotus de Stirling Moss e o BRM de Graham Hill, enquanto que na terceira estava o Porsche de Dan Gurney, o Cooper de Jack Brabham e o segundo BRM de Tony Brooks. Fechando o "top ten" ficou o Cooper de John Surtees e o Lotus de Jim Clark.
A corrida começa com Von Trips sendo melhor do que Phil Hill, que caiu para o terceiro posto quando foi ultrapassado pelo BRM de Graham Hill. O piloto britânico era o terceiro no final da primeira volta, mas cedo perdeu posições para Phil Hill e Jim Clark, que no seu Lotus, fazia uma corrida do fim do grid para a frente. Quarto no final da primeira volta, passa o piloto do BRM e começa um duelo pelo segundo lugar com Phil Hill. Ao longo das várias voltas, os dois pilotos pilotos duelaram pela segunda posição. Atrás, Graham Hill era pressionado pelo Lotus de Moss e o Ferrari de Ginther, mas no final, o americano levou a melhor, pois o piloto do BRM atrasou-se.
Na frente, Wolfgang Von Trips estava imperturbável, a caminho da primeira vitória alemã desde 1939. Nas últimas voltas, o alemão abrandou o seu ritmo e Hill apanhou-o, mas ficou atrás dele, numa espécie de chegada cerimonial. Von Trips em primeiro, Hill em segundo. Jim Clark era terceiro, no seu Lotus, seguido por Stirling Moss, que batera in extremis o Ferrari de Ginther e o Cooper de Jack Brabham.
Para finalizar, esta foi uma corrida única: nenhum dos carros presentes foram para os boxes, e todos os quinze pilotos presentes chegaram ao fim do GP. Algo unico que só voltaria a ser repetido no século XXI.
O Grande Prêmio da Alemanha havia se mudado de Nurburgring para a instalação de (AVUS) Verkehrs Automobil und Ubungs-Strasse, em Berlim.
Por causa de temores de que haveria problemas com os pneus, foi decidido que a corrida seria disputada em duas baterias. A Ferrari estava de volta à ação, mas Behra tinha saído do time, e quem estava correndo era Brooks, Phil Hill, Dan Gurney e Cliff Allison.Behra apareceu em um Porsche Formula 2. A equipe Cooper estava com seu time completo: Brabham, McLaren e Masten Gregory e, com carros privado de Rob Walker para Maurice Trintignant e Moss. Na BRM tínhamos Schell, Jo Bonnier e o herói local Hans Herrmann. A Lotus, trouxe para a pista Graham Hill e Innes Ireland.
O sábado foi ofuscado pela morte de Behra em um carro esporte de corrida. O francês acabou perdendo o controle do carro no meio da curva North e saiu rodopiando seu Porsche, em condições de pista úmida, acabando por bater a cabeça em um poste de bandeira, presente na pista. Ele morreu na hora.
No qualifying, Brooks obteve a pole e foi seguido por Moss, Gurney e Brabham . Atrás deles, na segunda fila, estavam presentes Gregory, Phill Hill e Bonnier.Brooks assumiu a liderança na primeira bateria, enquanto Moss teve problemas de transmissão.Gregori chegou a liderar momentaneamente, mas depois, Brooks estava na frente novamente. Começou, então, um grande batalha entre Brooks, Gurney e Gregory. Gregory acabou se retirando a cinco voltas do final do GP por uma falha no motor. Com isso, Hill assumiu a terceira posição e McLaren foi o quarto.
A segunda bateria apresentou um grid composto pelas posições obtidas no fim da primeira bateria. No início, McLaren assumiu a liderança, mas ele foi rapidamente ultrapassado por Phil Hill, Bonnier, Brooks e Gurney.Brooks conseguiu, rapidamente, ultrapassar Bonnier e a Ferrari passou a ocupar a primeira, segunda e terceira posições.
Hans Hermann da Alemanha sofreu um dos mais espetaculares acidentes da história da F1, ele perdeu o controle de seu BRM na entrada da parte que leva as curvas inclinadas, um pneu estourado foi a causa, Hermann não pensou duas vezes e pulou fora de seu carro. Um ato quase suicida e, apesar do feito, o piloto apenas quebrou dois dedos da mão esquerda.
Quando os tempos foram somados, Brooks ficou à frente de Hill e Gurney. A F1 nunca mais voltaria para Avus e Jack Brabham ganharia seu primeiro título mundial na F1, no final desta temporada.
Melhores momentos da temporada de 1959 (parte 02):