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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Jacky Ickx em Mont-Tremblant (1970): quadragésima quinta vitória da Ferrari


     Quando máquinas e pilotos chegam a Mont-Tremblant, um circuito na provincia canadense de Quebec, o falecimento de Jochen Rindt tinha completado duas semanas e a Lotus primava-se pela ausência na primeira das três corridas no continente americano. Vendo as coisas desta forma, a Ferrari tinha uma grande chance, muito dificil de alcançar, mas possivel no papel: o belga Jacky Ickx tinha de ganhar todas as três corridas para que pudesse alcançar o austríaco e conquistar o título com apenas um ponto de diferença.

     Sem as Lotus oficiais (Graham Hill estava presente com o chassis 72 inscrito pela Rob Walker Racing) e com a Ferrari no auge da potência, iria surgir outra equipe no horizonte. Ken Tyrrell e Jackie Stewart tinham planejado ao longo da temporada de 1970, em conjunto com o projectista Derek Gardner, um chassis próprio com base no March 701. O Tyrrell 001 estava pronto em Setembro, mas Ken hesitava em colocálo no terreno, apesar dos pedidos de Stewart. A decisão final aconteceu numa partida de golfe: o vencedor da partida colocaria o seu chassis em Mont-Tremblant, e Stewart venceu o seu patrão por apenas uma tacada.


     Não havia novas entradas na lista de inscritos. A Ferrari tinha Ickx e Clay Regazzoni, a BRM tinha Pedro Rodriguez, Jackie Oliver e George Eaton. Jack Brabham estava presente com a sua equipe, juntamento com o alemão Rolf Stommelen; a Matra tinha Henri Pescarolo e Jean-Pierre Beltoise, a McLaren tinha Peter Gethin, Dennis Hulme e Andrea de Adamich, este último com o motor Alfa Romeo, e a March tinha Jo Siffert e Chris Amon a nivel oficial, e os privados guiados por Francois Cevért e Ronnie Peterson. A Lotus tinha Hill; Tim Schencken estava presente com o De Tomaso, inscrito por Frank Williams, enquanto que John Surtees tinha trazido a sua própria criação.
    

     Nos treinos, Stewart mostrou que o chassis Tyrrell tinha nascido bem e fez a pole position, seguido pelo Ferrari de Ickx. Regazzoni foi o terceiro, com o March de Cevért no quarto posto, à frente do carro de Surtees. Amon foi sexto, à frente do BRM de Pedro Rodriguez, enquanto que Pescarolo é o melhor dos Matra, no oitavo posto do grid. Fechando o "top ten" estão os BRM de Eaton e Oliver.


     Na largada, Stewart manteve o primeiro lugar, à frente de Ickx, Rodriguez, Surtees, Cevért e Regazzoni. à medida que as voltas avançavam, Stewart construia uma sólida vantagem sobre o Ferrari do belga, e parecia que o escocês poderia dar à Tyrrell a sua primeira vitória no seu próprio chassis. Mas na 32ª volta, o eixo traseiro sofre uma avaria e a corrida de Stewart acaba ali. Ickx herda a liderança, algo que não vai largar até ao final da corrida.

     Mais atrás, Regazzoni tinha conseguido passar Rodriguez e Cevért para ficar com o segundo posto, e começar a distanciar-se dos demais, fazendo uma corrida a seu bel-prazer, algo que o seu companheiro já fazia desde então. Entretanto, Surtees teve de ir às boxes para resolver um problema de motor, que tinha provocado um principio de incêndio, mas conseguiu regressar à corrida. Mais atrás, Cevért estava calmamente nos pontos até que um problema no eixo traseiro o fez parar nas boxes e perder muito tempo. No final, terminou no oitavo lugar, a cinco voltas do vencedor.
     A corrida tinha sido extenuante, e no final das oitenta voltas em Mont-Tramblant, Ickx e Regazzoni davam uma dobradinha à Ferrari. Chris Amon, no seu March, fechava o pódio e nos restantes lugares pontuáveis ficavam o BRM de Rodriguez, o carro de Surtees, que conseguia aqui os seus primeiros pontos como construtor, e o McLaren de Gethin. No final, Ickx conseguira vencer na primeira de três etapas. Agora, tudo dependia do que iria acontecer nas corridas de Watkins Glen e Cidade do México, onde a Lotus iria voltar para garantir os pontos que faltavam para ambos os títulos em jogo.
canada70
     No fim do GP, o diretor de prova se empolga na bandeirada para Ickx e “baila” no meio pista.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Jacky Ickx em Österreichring (1970): quadragésima terceira vitória da Ferrari

    

     A temporada 1969 foi mais um ano dos motores Ford, agora também com a equipe Brabham. Mas o principal destaque do campeonato ficou por conta do piloto inglês Jackie Stewart. Ele ficou vinte e seis pontos à frente do segundo colocado, o belga Jacky Ickx. Tamanha superioridade garantiu a sua equipe, a Matra, o campeonato mundial de construtores. A Ferrari não obteve vitórias nesta temporada.

    Oito equipes passaram a usar o motor Ford Cosworth na temporada 1970. Justamente o ano no qual a Ferrari finalmente conseguiu desenvolver um equipamento capaz de equilibrar a disputa.

     No entanto, nem mesmo as quatro vitórias da escuderia italiana foram suficientes para combater o alto desempenho da Lotus e seu principal piloto, o austríaco Jochen Rindt.

     Porém, um acidente no GP da Itália fez o piloto perder a vida. Mesmo faltando mais três provas para acabar o campeonato ninguém conseguiu superá-lo na tabela de classificação e Rindt foi campeão.

     Nessa temporada também houve a primeira vitória de um piloto brasileiro na Fórmula 1. Emerson Fittipaldi, companheiro de Rindt na Lotus, saiu vitorioso no GP dos Estados Unidos.

     O primeiro Grande Prêmio da Aústria  foi realizado em 1964, no aeródromo local. A prova foi ganha pelo Ferrari de Lorenzo Bandini, na sua unica vitória na Formula 1, e onde um jovem piloto da casa, Jochen Rindt, correu pela primeira vez na sua carreira na categoria máxima do automobilismo. Seis anos mais tarde, Rindt era estrela mundial e o governo local decidiu construir uma pista rápida nas encostas das montanhas que circundavam o vale de Speilberg, na provincia da Styria.

     A pista era rápida, desafiadora, com curvas grandes... mas sem escapatórias, o que a tornava perigosa. Mas em 1970, a segurança não era levada em conta, apesar dos acidentes fatais serem frequentes. E quando a Formula 1 chegou a Zeltweg, a 16 de Agosto de 1970, o pelotão da Formula 1 já tinha visto morrer o neozelandês Bruce McLaren, a 2 de Junho, e o inglês Piers Courage, em Zandvoort, dezenove dias depois.

     Acidente de Bruce Mclaren:


     Acidente de Piers Courage:


[Austria+70.bmp]

      Mas os espectadores não queriam saber disso, queriam ver o seu heroi local, Jochen Rindt, a bordo de uma máquina vencedora: o novo Lotus 72. Rindt tinha ganho a prova anterior, em Hockenheim, e liderava destacadíssimo, com 45 pontos, contra... os 25 pontos do segundo, Jack Brabham. O belga Jacky Ickx tinha apenas 10 pontos, e não tinha ganho qualquer corrida nesse ano.

     O companheiro de Jacky Ickx era um estrante na Formula 1: o suiço Clay Regazzoni, e o Ferrari 312B começava a ser uma máquina forte, depois de um inicio titubeante. Ickx tinha sido segundo na corrida anterior, em Hockenheim, lutando pela vitória com Rindt. Este já não achava tão fácil ganhar, mas na sua mente, isso não importava: ele só queria ser Campeão do Mundo para que pudesse abandonar a competição de vez. O que ele não sabia era que só teria mais três semanas de vida...

     Na lista de inscritos, Havias duas ausências: o Lotus de Graham Hill, inscrito pela Rob Walker Racing, que estava à espera de um modelo 72, e o sueco Ronnie Peterson, que no seu March 701 inscrito pela Antique Automobiles, ficara sem motores. Em compensação, a Ferrari inscrevia um terceiro carro para o italiano Ignazio Giunti. Na De Tomaso-Williams, sem Brian Redman, que tinha compromissos na Endurance, Frank Williams teve de ir buscar o australiano Tim Schenken para correr em Zeltweg. 



     Na qualificação, Rindt fez a pole position, tendo ao seu lado o Ferrari de Clay Regazzoni. Na segunda fila estava o outro Ferrari de Jacky Ickx, enquanto que no quarto posto estava o March de Jackie Stewart, grande amigo de Rindt. A terceira fila era ocupada pelo terceiro Ferrari de Ignazio Giunti e pelo segundo March de Chris Amon, enquanto que o Matra de Jean Pierre Beltoise era o sétimo, à frente do carro de Jack Brabham. Fechando o "top ten" estava o March do jovem francês Francois Cevért e o segundo Lotus de John Miles.


     Na largada, Rindt é surprrendido pelos três Ferrari, que se dão muito bem com os ares austriacos. Regazzoni é o primeiro lider, mas cede a poisção para Ickx no inicio da segunda volta, e os dois carros andam a seu bel-prazer até ao final da corrida.


     Quanto a Rindt, é quarto classificado no final da primeira volta, à frente de Brabham, mas ele já devia pensar um pouco nos pontos, tamanha era a diferença para eles. Na volta 21, depois de passar o Ferrari de Giunti, desiste em plena reta de largada com o motor quebrado. E se antes dominavam, agora os Ferrari esmagavam a seu bel-prazer e no final, o belga Ickx é o vencedor, com Regazzoni a menos de um segundo, mas ambos com mais de um minuto do terceiro classificado, o alemão Rolf Stommelen. Será o único pódio de sua carreira.

     Nos restantes lugares pontuáveis ficariam os BRM de Pedro Rodriguez, que de um péssimo 22º posto na largada, fez uma corrida de recuperação até ao quarto lugar final, o outro BRM de Jackie Oliver e o Matra de Jean Pierre Beltoise conseguiram ficar à frente de Giunti. Já Emerson Fittipaldi era 15º classificado, a cinco voltas do vencedor.

     Melhores momentos GP:


Fonte: http://continental-circus.blogspot.com/2007/07/

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