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sábado, 6 de agosto de 2011

Niki Lauda em Kyalami (1977): sexagésima sexta vitória da Ferrari


    Antes de Kyalami, o “Grande Circo” já tinha estado na Argentina e no Brasil, corridas onde o equilíbrio tinha sido a nota dominante. Se em Buenos Aires, assistiu-se à espantosa vitória de Jody Scheckter, a bordo do estreante Wolf, em Interlagos viu-se uma corrida tumultuosa, com a vitória do argentino Carlos Reutmann.

     O fim de semana do GP da Africa do Sul começou chuvoso. Na sexta-feira, o Shadow de Tom Pryce mostra que é o melhor no molhado. Mas no sábado, o tempo melhora e o McLaren de James Hunt leva a melhor sobre o Brabham de José Carlos Pace e o Ferrari de Niki Lauda. Scheckter, o piloto da casa, obtem o quinto lugar, e Pryce, o homem que se deslumbrou na chuva do dia anterior, sai em 15º lugar no grid.

[Kyalami+77.jpg]

     A corrida começa sem incidentes, com Lauda levando a melhor sobre Hunt, uma reincidência das lutas do ano anterior. Entretanto, Pryce tem problemas e passa em último no final da primeira volta. A corrida segue o seu ritmo normal até à volta 21, altura em que o italiano Renzo Zorzi para o seu Shadow a beira da reta de chegada.

     O carro começa a pegar fogo e logo dois comissários de pista vão socorrê-lo. Mas para lá chegarem, têm que atravessar a pista, e no local onde estão, a visibilidade é pouca, pois em Kyalami, a reta de chegada começa em uma subida, para descer vertiginosamente na sequência (é o famoso The Dip”). Um dos comissários tem 18 anos: Jensen Van Vuuren.


     Na altura em que atravessam a pista, quatro carros passam pela reta principal: Pryce, o alemão Hans-Joachim Stuck, o francês Jacques Laffite e o sueco Gunnar Nilsson (1948-1978). Stuck consegue ver os dois comissários e vira para a direita, evitando-os. Mas Pryce, que estava colado em Stuck, não os vê e atropela Van Vuuren, matando-o. Simultaneamente ao atropelamento, o extintor que Van Vuuren transportava atinge o capacete de Pryce, tirando sua vida imediatamente.


     O carro descontrolado de Pryce vai de encontro ao Ligier de Laffite e arrasta-o para a lateral da pista no final da reta. O francês escapa ileso, mas nada se podia fazer pelo piloto galês, que tinha 27 anos.



     Video do acidente de Pryce:



     Depois disto, a corrida continuou. Pace teve problemas, Hunt também, e Lauda acabou por vencer a corrida, a sua primeira vitória depois do pavoroso acidente de Nurburgring, sete meses antes. No pódio, sabendo o que tinha acontecido antes, afirmou: “a morte de Pryce tirou todo o prazer da minha vitória”.

     Em 13º lugar classificou-se o brasileiro José Carlos Pace. Seria o seu último GP. Treze dias depois, morreria em um acidente aéreo na Serra da Cantareira, em São Paulo. Tinha 33 anos. O Autódromo de Interlagos tem agora o seu nome.

     Tributo à José Carlos Pace:


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Clay Regazzoni em Monza (1975): quinquagésima sétima vitória da Ferrari


     Após a corrida austríaca, muita coisa aconteceu naquelas duas semanas antes da Formula 1 chegar a Monza, casa da Ferrari. Houve um evento extra-campeonato, o GP da Suiça, e o cancelamento do GP do Canadá, que iria acontecer em Mosport, devido a dificuldades financeiras que a organização passava. Assim, feitas as contas, Niki Lauda só precisava de meio ponto para ser campeão do mundo pela primeira vez na sua carreira.

     Mas quando o pelotão chegou ao mítico circuito italiano, havia algumas novidades. Sem a Penske presente, devido à morte do seu piloto Mark Donohue,.........
     Video do acidnte de Mark Donohue:
........a Williams fazia a sua politica de alugar um carro a pilotos locais. Nesta corrida, um dos seus carros foi alugado ao local Renzo Zorzi, que fazia a sua estreia na categoria máxima do automobilismo. Na Lotus, Jim Crawford voltava ao segundo carro da equipe, enquanto que a BRM estava de volta, após duas corridas de ausência, com Bob Evans, novamente, ao volante. Na Copersucar-Fittipaldi, com Wilsinho lesionado em uma mão, o italiano Arturo Merzário corria no seu lugar.

     Na qualificação, a Ferrari ficou com toda a primeira fila, com Niki Lauda em primeiro e Clay Regazzoni em segundo. Na segunda fila estavam o McLaren de Emerson Fittipaldi e o Tyrrell de Jody Scheckter, enquanto que na terceira fila estavam o segundo McLaren de Jochen Mass e o Hill de Tony Brise. Carlos Reutemann era o sétimo no grid, tendo a seu lado o Hesketh de James Hunt. Na quinta fila estavam o March de Vittorio Brambilla, o vencedor do atribulado GP da Aústria, tendo a seu lado o segundo Brabham de José Carlos Pace.
     Video da vitória e colisão de Brambilla na Aústria em 1975:
     Dos 28 pilotos inscritos, apenas 26 se qulificaram. O Maki de Tony Trimmer e o Ensign do holandês Roelof Wunderink não conseguiram um tempo suficientemente bom para alinhar no grid.

     Antes da corrida, uma enorme tempestade caiu sobre o circuito italiano, levantando temores sobre as condições de pista na hora da largada, mas nessa altura, o piso tinha secado rapidamente. Quando largaram. Regazzoni foi melhor do que Lauda e ficou na liderança. Na volta seguinte, Scheckter, que tinha chegado ao terceiro posto, causa confusão na chicane, provocando toques no meio do pelotão. Os Hill de Brise e Rolf Stommelen, bem como o Parnelli de Mario Andretti saem da corrida, vitimas dos toques. Brambilla fica sem embreagem e Ronnie Peterson explode o motor do seu Lotus.

     Mas tudo isso não incomodou os pilotos da Ferrari, que continuavam impávidos e serenos na liderança, para delirio dos "tiffosi". Atrás deles estavam Fittipaldi e Reutemann, enquanto que Hunt, o Tyrrell de Patrick Depailler e o Shadow de Tom Pryce perseguiam os sulamericanos. Contudo, pouco depois, Depailler sai da pista e perde muito tempo, permitindo a Hunt respirar melhor. Por esta altura, Fittipaldi tinha passado Reutemann e estava perseguindo Lauda, dando o seu melhor e tentando diminuir uma difierença que já estava na casa dos dez segundos.


     O brasileiro conseguiu reduzir a diferença até ficar na grudado na sua traseira e ultrapassá-lo, a dez voltas do fim. Contudo, isso não tirou o brilho do austríaco, pois Lauda já era mais do que campeão. E foi assim que os carros cruzaram a linha de chegada, com Regazzoni vencedor, cinco anos depois da sua primeira vitória, e Lauda completando o pódio, mas como campeão do mundo, onze anos depois de John Surtees. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Brabham de Reutemann, o Hesketh de Hunt e o Shadow de Pryce.
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