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sábado, 3 de setembro de 2011

In Memoriam: Olivier Gendebien (1998)


     Todos os que pilotaram e participaram algum dia em uma competição automobilística, foram homens extraordinários, pois combinar a febre da velocidade com os perigos nela inerentes, não é fácil, e anos antes, era um equilíbrio muito frágil entre a vida e a morte. Mas no meio disso tudo, há homens cuja vida foi  extraordinária, do princípio ao fim, em qualquer atividade. E o homem que falomos hoje teve uma vida digna de um romance de aventuras, pois não é qualquer um que participa ativamente na II Guerra Mundial, como resistente anti-nazi, e que depois de descobrir o automobilismo por acidente, ganha as 24 Horas de Le Mans por quatro vezes, tornando-se recordista de vitórias da prova, até aparecer outro compatriota seu… hoje é dia de Olivier Gendebien.

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     Nasceu em Bruxelas em 12 de Janeiro de 1924, no meio de uma família abastada, herdeira do império Solvay. Aos 16 anos, assiste à invasão da Bélgica pelas tropas da Alemanha nazi, e no ano seguinte, entra na Universidade para estudar engenharia. Com o tempo, passa a fazer parte da Resistência, onde os seus conhecimentos de inglês fazem com que trabalhe como elemento de ligação entre os agentes britânicos que caiam de paraquedas na Bélgica, e a resistência local. Algum tempo mais tarde, vendo a sua vida em jogo, foge para Inglaterra, onde se torna ele mesmo um páraquedista.

     No final da guerra, prossegue os estudos, mas desta vez como engenheiro agrônomo. Muda-se para o Congo Belga, mais especificamente para Stanleyville (a atual Lubumbashi), onde conhece um senhor chamado Charles Fraikin. Ele era navegador em provas de longa distância, e precisava de um piloto para as provas de rali.

     Em 1953, regressa à Bélgica, e corre com um Veritas, em Chimay, no Grand Prix des Frontieres, e pouco depois tentava a sua sorte nos ralis, comprando um Jaguar. Mais tarde, mudou-se para um Alfa Romeo, onde ganha o Liege-Roma-Liege, em 1955, ao lado do seu amigo Fraikin, num Mercedes 300 SL. Pouco tempo depois, ganha a Coppa D’Oro del Dolommiti, de novo no Mercedes.

     Estas vitórias atraem a atenção de Enzo Ferrari, que o convida para correr na sua equipa de Sport, com umas participações esporádicas na Formula 1. O seu primeiro Grande Prêmio acontece na Argentina, em 1956, onde chega em quinto lugar, e consegue dois pontos. Corre mais uma vez em Reims, onde não termina. Entretanto, nos Sport-Protótipos, faz parceria com o francês Maurice Trintignant nas 24 Horas de Le Mans desse ano, ao volante de um Ferrari 625 LM Touring, de 2,5 Litros, terminando no terceiro lugar.

     No ano seguinte, Gendebien dedica-se exclusivamente aos Sport-Protótipos, onde consegue as suas primeiras grandes vitórias: a Volta à Sicília, a Volta à França em automóvel, e as 12 Horas de Reims. Corre nas 24 Horas de Le Mans, de novo com Maurice Trintignant, mas não passam da volta 129.

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     Mas as coisas em 1958 são completamente diferentes, pelo menos em Le Mans. Correndo desta vez com o americano Phil Hill, vence a prova pela primeira vez, a bordo de um Ferrari 250 TR 8, com uma vantagem de 12 voltas sobre o segundo, o Aston Martin de Graham e Peter Whitehead. Antes de Le Mans, Gendebien tinha conseguido outras importantes vitórias em Sport-Protótipos: os 1000 km de Buenos Aires, em Janeiro, com Wolfgang Von Trips, e depois a Targa Florio, com Luigi Musso. Também ganhou as 12 Horas de Reims, a Volta à França em Automóvel. Correu três provas no campeonato do Mundo de Formula 1, o melhor que conseguiu foi um sexto lugar na Bélgica.

      Em 1959, ganha uma terceira vez a Volta à França em automóvel, enquanto que no inicio do ano, ganha as 12 Horas de Sebring, com Dan Gurney e Chuck Daigh ao seu lado. Em Le Mans, de novo com Phil Hill, não chega ao fim. Na Formula 1, alinha em Reims e Monza, conseguindo um quarto lugar na corrida francesa, obtendo três pontos no campeonato.

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     Contudo, em 1960, não corre pela Ferrari, aceitando um lugar na Yeoman Credit Racing Team, que corria num Cooper de motor traseiro. A sua primeira prova é na Bélgica, onde consegue o terceiro lugar, e repete o pódio na corrida seguinte, na França. Esses dez pontos deram-lhe a sexta posição final, na temporada onde mais se dedicou à Formula 1. Mas também se dedicou aos Sport-Protótipos. Com o alemão Hans Hermann, no Porsche inscrito pela equipe de Jo Bonnier, começou o ano vencendo as 12 Horas de Sebring, e em junho, ganha uma segunda vez as 24 horas de Le Mans, com o seu compatriota Paul Frére, ao volante de um Ferrari 250 T.

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     Em 1961, continua correndo nos Sport-Protótipos, em provas de Endurance. No inicio do ano, vence uma terceira vez as 12 Horas de Sebring, com Phill Hill como companheiro (por causa disso, ele tem uma curva com o seu nome no circuito.), e vence a Targa Florio, com o alemão Wolfgang von Trips a seu lado. Em Le Mans, repete a vitória pela terceira vez, com Phil Hill. Quanto à Formula 1, tem três aparições, das quais resultou num quarto lugar no GP de Bélgica. No final do ano, corre uma última vez em Watkins Glen, com um Lotus-Climax, onde tem um acidente grave, do qual só se safa porque fora projetado para fora…

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     Em 1962, Gendebien tinha 38 anos, e a sua família já pedia para que se retirasse das competições, pois já tinha visto alguns dos seus amigos morrerem, entre os quais Mike Hawthorn, Luigi Musso, Peter Collins e Wolfgang von Trips, todos seus companheiros na Ferrari. Contudo, ainda decidiu fazer mais uma temporada na Ferrari, dedicando-se exclusivamente às corridas de Endurance. Nesse ano, vence a Targa Florio pela terceira vez, em conjunto com o seu compatriota Willy Mairesse e o mexicano Ricardo Rodriguez, e em Junho, foi a vez das 24 horas de Le Mans, ao lado de Phil Hill. Conseguira uma inédita quarta vitória na história da competição, um recorde que não seria superado por 19 anos, até que outro compatriota, Jacky Ickx, o fizesse. Antes de se retirar definitivamente das competições, ainda conseguiu ganhar os 1000 km de Nurburgring, em conjunto com Hill.

     A sua carreira na Formula 1: 14 Grandes Prêmios, em cinco temporadas (1956, 1958-61), dois pódios, 18 pontos. Vencedor das 24 Horas de Le Mans em 1958, 1960, 1961 e 1962, vencedor da Targa Florio em 1958, 1961 e 1962 e vencedor das 12 Horas de Sebring em 1959, 1960 e 1961.

     O seu estilo de condução foi elogiado por “Il Commendatore” da seguinte maneira: “Ele era um ‘gentleman’ que nunca esquecia a sua condição e que transcrevia isso no seu estilo de condução, elegante e rápido”. Gendebien replicou, explicando que o seu segredo era “só fazer as curvas um pouco mais rápido do que os outros”.

     Depois do final da sua carreira automobilística, Gendebien dedicou-se aos seus negócios com sucesso, e descobriu outros desportos, no qual praticou com igual prazer, como o esqui, o tênis e a equitação. No final da sua vida, os seus feitos como resistente e como piloto de automóveis foram reconhecidos pelo estado belga, quando o Rei Alberto II o condecorou com a Ordem da Coroa, uma das mais altas condecorações do país. A 2 de Outubro de 1998, morria aos 74 anos na sua casa em Les Baux de Provence, no sul da França, vítima de câncer.

Fonte: http://continental-circus.blogspot.com/2008/10/

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Phil Hill em Monza (1960) trigésima vitória da Ferrari


     A temporada 1960 foi de afirmação dos motores Climax, com  seis vitórias da Cooper e  duas da Lotus.Ambas as equipes dominaram o campeonato e a Cooper foi o destaque mais uma vez. A escuderia faturou o título de constutores e fez as duas primeiras posições no mundial de pilotos.

     Além disso, o sistema de pontuação mudou. Agora o sexto colocado passava a ganhar 1 ponto. Essa era também a última temporada na qual as 500 milhas de Indianápolis seriam disputadas.

     Para a Ferrari, atemporada foi bastante complicada. A equipe triunfou, apenas na prova italiana.

     Três semanas depois do GP de Portugal, Jack Brabham tinha o título mundial nas mãos, logo, as duas provas finais, a de Monza e de Riverside, nos Estados Unidos, não serviam mais do que para cumprir calendário. Assim sendo, quando a organização do GP italiano decidiu apresentar a versão de Monza que incluia o circuito normal e a oval, no total de dez quilómetros, a Cooper, BRM e a Lotus decidiram não participar, alegando as más condições de segurança.
    
     Com este anuncio, praticamente a corrida seria um passeio para a Ferrari, que não se fez de rogada, inscrevendo quatro carros para os americanos Phil Hill e Richie Ginther, o belga Willy Mairesse e o alemão Wolfgang Von Trips, este último num modelo de Formula 2. Todos os carros eram modelos D 246 de motor à frente, absolutamente obsoletos em relação aos Cooper e Lotus de motor traseiro. Mas não seriam só os Ferrari que iriam correr em Monza. A Porsche inscrevia dois carros para Hans Hermann e Edgar Barth, enquanto que havia quatro Coopers: dois da Scuderia Centro Sud, para Alfonso Thiele e Guido Scarlatti, e outros dois carros da Scuderia Castelloti, com motores Castelotti para os italianos Guido Cabianca e Gino Munaron.


     Havia também inscrições privadas. Um Behra-Porsche, utilizado pelo americano Fred Gamble, um Maserati 250 F inscrito pelo britânico Horace Gould, um JBW-Maserati para Brian Naylor, e quatro Cooper-Climax privados para o alemão Wolfgang Seidel, para o italiano Piero Drogo e para os britânicos Vic Wilson e Arthur Owen. Ao todo, estavam presentes dezesseis carros, dos quais, Horace Gould não participou na partida, devido a problemas mecânicos.

     Nos treinos, os Ferrari dominaram: Hill, Ginther e Mairesse ficaram com a primeira linha do grid, seguido do Cooper-Castelotti de Cabianca e o Cooper-Maserati de Scarlatti, enquanto que na terceira fila ficaram o Ferrari de Von Trips, o JBW de Naylor, e o segundo Cooper-Castelotti de Munaron, e para fechar o "top ten" tínhamos o Cooper-Maserati de Thiele e o Porsche de Hermann.
 
 
     A corrida não foi mais do que um passeio da Ferrari. Nas cinquenta voltas ao circuito, os Ferrari dominaram, com Hill sempre na frente, depois de no inicio Ginther ter-se retirado da liderança. Mais atrás, Mairesse teve de reduzir a velocidade do seu carro devido a ordens de equipe, que queriam que ele "rebocasse" o carro de Von Trips, que tentava se afastar dos Porsches. Quando isso aconteceu, Mairesse aumentou o ritmo e apanhou o Cooper-Castelotti de Cabianca, que era terceiro e ficou com um lugar no pódio.


     Assim, a ordem nos treinos foi respeitada e Phil Hill tornou-se no final da corrida, o primeiro americano a vencer um Grande Prémio de Formula 1, e também o último piloto de um carro com motor à frente a vencer. Ginther foi segundo e Mairesse o terceiro, a uma volta do vencedor. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Cooper-Castelotti de Guido Cabianca, que conseguiria os unicos pontos na Formula 1, o Ferrari de Von trips e o Porsche de Hans Hermann.
 
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