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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Jody Scheckter em Monza (1979): septuagésima oitava vitória da Ferrari


     Quase quinze dias depois do GP da Holanda, sabia-se em Monza que em caso de vitória da Ferrari, o Campeonato Mundial estaria decidido a favor da casa de Maranello. Mas apenas se jogassem os dados certos. E isso significaria que Jody Scheckter, que estava à frente do Mundial de pilotos, graças à complicada aritmética usada naquele ano, onde se tinha de tirar dois resultados de cada um das metades daquele campeonato, tinha que vencer a corrida para assegurar a taça.

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     E Scheckter merecia-o pelo seu pragmatismo. Algo inacreditável uns anos antes, no inicio da sua carreira, quando lhe chamavam de “Baby Bear” para diferenciar de “Bear”, a alcunha dada ao neozelandês Dennis Hulme, por ter um pé muito pesado. E em 1979, o “pé pesado” era o seu companheiro de equipe, Gilles Villeneuve. Imensamente popular, certamente merecia o título, mas alguns dos seus excessos, o último em Zandvoort, devido a um pneu furado, acabaram com as hipóteses dele lutar pelo título como devia. Sendo assim, Enzo Ferrari escolheu Scheckter para levar o título, mas prometeu a Gilles que ele seria o próximo, que o admirava, e disse: “Gilles, deixa o Jody ganhar. A seguir serás tu o campeão”. Infelizmente, o Destino não deixou cumprir…

     Gilles em Zanvoort (1979):


     Acidente fatal de Gilles em Zolder (1982):


     Mas na lista de inscritos em Monza, havia uma grande novidade: depois de alguns Grandes Prêmios de ausência, a Alfa Romeo voltava com um novo chassis, o N179, e dois carros, um para Bruno Giacomelli e outro para Vittorio Brambilla. Aos 42 anos, e exatamente um ano depois do seu acidente quase fatal, onde morrera Ronnie Peterson, Brambilla regressa a cem por cento, mostrando que a sua pancada na cabeça (devido a um pneu que se soltara no acidente) não tinha afetado sua capacidade de condução.

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     Mas havia também outras novidades. O mexicano Hector Rebaque, que corria desde há mais de ano e meio num Lotus 79, tinha finalmente pronto o seu carro próprio, encomendado à Penske, o Rebaque HR100. Na Ensign, Mo Nunn tinha assistido as performances de um jovem suíço que corria na Formula 2 chamado Marc Surer, e se tornara campeão na categoria. Sendo assim, escolheu-o para correr nas três últimas provas daquele ano.

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     Os treinos foram complicados para a Ferrari, pois a equipe tinha problemas de aerodinâmica, devido à pouca eficácia das saias numa pista ondulada como a italiana. E por isso, os melhores classificados foram os Renault de Jean Pierre Jabouille e de René Arnoux, que graças ao motor Turbo e ao fato de Monza ser uma pista veloz, monopolizaram a primeira fila do grid de largada. Na segunda fila estava Jody Scheckter, tendo a seu lado o Williams-Cosworth de Alan Jones, seu grande rival na luta pelo título. Gilles Villeneuve era quinto, com o recém quarentão Clay Regazzoni a seu lado, no segundo Williams. Na quarta fila ficavam o Ligier-Cosworth de Jacques Laffite e o Brabham-Alfa Romeo de Nelson Piquet. Na quinta fila, e fechando os dez primeiros, ficava o segundo Brabham-Alfa Romeo de Niki Lauda e o Lótus-Cosworth de Mário Andretti.

     Quanto aos estreantes, Giacomelli e Brambilla colocaram os seus Alfa Romeo na 18ª e 22ª posições do grid, respectivamente. Rebaque, com o seu próprio carro, fez o pior tempo e não se qualificou para o grid, da mesma forma que Surer, no seu Ensign. Arturo Merzário, também no seu próprio carro, e Jan Lammers, no Shadow-Cosworth, também ficaram de fora desta corrida.

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     No dia da corrida, o autódromo estava cheio e todos na expectativa de ver um Ferrari vencer em casa e ficar com o título mundial. E quando mais de cem mil espectadores viram a largada, o delírio foi total. Isto porque Arnoux e Jabouille largaram mal e Scheckter aproveitou para assumir a liderança. Arnoux era o segundo, enquanto que Villeneuve e Laffite eram respectivamente terceiro e quarto classificados. Jabouille tinha caído para quinto. Pior ficaram Jones e Piquet. O primeiro largou mal e foi para o final do pelotão, o segundo teve um acidente no meio da primeira volta e desistiu do GP. 

     Na terceira volta, Arnoux reagiu e chegou em Scheckter, ultrapassando-o. Nas dez voltas seguintes, um pelotão compacto de cinco carros, liderado pelo piloto da Renault, estava na frente da corrida. Regazzoni era sexto. Na volta 13, o motor Turbo de Arnoux começou a falhar e este foi obrigado a entregar a liderança ao sul-africano e desistir da corrida. A ordem durante muito tempo foi a seguinte: Scheckter, Villeneuve, Laffite, Jabouille e Regazzoni. E foi assim até perto do fim, quando os motores começaram a quebrar devido ao stress de acelerar numa pista de alta velocidade. Jabouille desiste na volta 41, e Laffite quatro voltas depois, devido aos mesmos problemas: motor. Assim o grande beneficiado foi o veterano Clay Regazzoni, que chegava assim ao lugar mais baixo do pódio a bordo do seu Williams. Pelo caminho fizera a volta mais rápida.

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     E quando os carros da Ferrari cruzaram a meta, o primeiro lugar de Scheckter significava a concretização do seu sonho: ser campeão do Mundo! Aos 29 anos, tornava-se o primeiro (e único até agora) campeão do Mundo de origem africana, entrando no Olimpo dos Campeões pela Rossa, depois de Alberto Ascari, Juan Manuel Fangio, Phil Hill, John Surtees e Niki Lauda. Ao dar à Ferrari o seu oitavo título de pilotos, a duas provas do fim, desconhecia que ali começava uma travessia do deserto que iria durar 21 longos anos… e que o seu salvador tinha naquele dia, apenas dez anos de idade. Depois de Scheckter, Villeneuve e Regazzoni, nos restantes lugares pontuáveis chegavam o Brabham-Alfa romeo de Niki Lauda, o Lótus-Cosworth de Mário Andretti e o Tyrrell-Cosworth de Jean-Pierre Jarier.

     Melhores momentos do GP:



segunda-feira, 2 de maio de 2011

In Memoriam: Lorenzo Bandini (07/05/1967)


    Bandini nasceu quatro dias antes do Natal de 1935 na Líbia, então colônia taliana. Veio para a Itália aos três anos, e doze anos depois começou a sua carreira a bordo de um Fiat 1100, participando na Mille Miglia daquele ano, ganhando uma das categorias a bordo de um Lancia Appia Zagato. Logo a seguir, correu em carros de Formula Júnior (categoria que dava acesso a F1, naquela época) até ao ano de 1961, altura em que estreia na Formula 1 a bordo de um Cooper da Scuderia Centro-Sud. Não pontuou nesse ano, mas numa das corridas extra-campeonato, terminou em terceiro lugar. Isso foi o suficiente para ser visto por Enzo Ferrari, que o contratou para correr nos seus carros. Iria ser a sua casa para o resto da vida.

                             Bandini no Cooper T53-Maserati, em 1961

     Em 1962, chama atenção ao acabar em terceiro no difícil GP do Mônaco. Foi o seu o seu único resultado de expressão naquele ano, na Formula 1. Os 4 pontos deram-lhe o 12º posto na classificação geral. Nos Sport-Protótipos, acaba em segundo lugar a Targa Florio, tendo como companheiro de equipe o seu compatriota Ludovico Scarfiotti (1936 – 1968).

     Em 1963, volta para a Scuderia Centro-Sud, de Mimmo Dei, mas nela permanece pouco tempo. Enzo Ferrari volta a chamá-lo, desta vez para as 24 Horas de Le Mans, a bordo do modelo F 250 P, de novo com Ludovico Scarfiotti. Vencem a corrida, com 16 voltas de vantagem sobre o outro Ferrari de Jean Blanton. Na Targa Florio, repetem o segundo lugar do ano anterior. Na Formula 1, Bandini leva para casa três quintos lugares, dando-lhe a 10ª posição no campeonato, com 6 pontos.

     O ano de 1964 vai ser o seu melhor ano na Formula 1, apesar do início ter sido desastroso. Só começa a pontuar no meio da temporada, no GP da Inglaterra, mas a partir daí, os bons resultados aparecem em sequência: vence em Zeltweg, na Áustria, o seu único GP, e acaba em terceiro em Monza e na Cidade do México. No final do campeonato, Bandini tinha 23 pontos, que lhe dão um quarto lugar na classificação final.

     Em 1965, começa o campeonato com um segundo lugar em Mônaco, seu único podium naquele ano. Em outras competiçõe, teve mais sorte: depois de dois segundos lugares, vence finalmente a Targa Florio, desta vez acompanhado do seu compatriota Nino Vacarella. No campeonato, Bandini acumula 13 pontos, que lhe dão um sexto lugar na classificação final.

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     Em 1966  o inglês John Surtees sai da equipe Ferrari, e Bandini torna-se o piloto principal. Isso aumenta a responsabilidade sobre seus ombros. Mas não é por isso que continua a acumular bons resultados: é segundo em Mônaco, terceiro em Spa, fazendo as voltas mais rápidas nessas corridas, faz também a pole na França. Mas a vitória em casa, foi obtida por seu campanheiro Ludovico Scarfiotti. Os 12 pontos que conquistou deram-lhe o nono lugar na geral.

     Em 1967, a Ferrari encontrava-se em uma situação crítica: os seus carros de Le Mans tinham sido batidos pelos Ford GT 40, já não era campeã do mundo de Formula 1 há mais de dois anos, e a pressão interna era grande, especialmente em relação a Bandini que, em termos mentais, não era dos melhores. Scarfiotti, um “gentlemen driver” de origens aristocráticas, era um dos sobrinhos de Giovanni Agnelli, o patrão da Fiat, e estava em alta. Para alguém vindo da classe trabalhadora, órfão de pai (um “partigani” fuzilado na II Guerra Mundial), isso começava a afetar a moral…

    Mas o ano começava bem. Venceu as 24 Horas de Daytona, e os 1000 Km de Monza, com o neo-zelandês Chris Amon ao seu lado no modelo F 330 P4 da marca, e tudo parecia estar bem. A 7 de Maio de 1967, em Mônaco, Bandini partia para o seu primeiro GP do ano, confiante em um bom resultado.

    Tudo estva acontecendo com previsto. Inicia dominando a prova, mas uma derrapada causada pelo óleo de um Brabham do seu fundador, Jack Brabham, faz com que caia para a terceira posição, atrás de Stewart e do neo-zelandês Dennis Hulme (1934-1992). Logo se recupera e ultrapassa o escocês, mas não alcança Hulme. As coisas continuam assim até à volta 82, altura em que, prejudicado pelas manobras de Pedro Rodriguez (1940-1971) e Graham Hill (1929-1975), não consegue ganhar terreno em relação a Hulme. Na chicane do porto, o carro de Bandini passa depressa demais e bate nos fardos de palha, incendiando-se. Três pessoas tentam apagar o fogo, entre eles, Giancarlo Baghetti, e quando o fazem, descobrem que Bandini tem queimaduras em 60 por cento do corpo. 72 horas mais tarde, a 10 de Maio, Bandini morre. Tinha 31 anos.

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     Na F1 participou de 42 Grandes Prêmios em sete temporadas, conseguiu uma vitória, uma pole-position, duas voltas mais rápidas, oito pódios e 58 pontos no total. 

     Depois deste incidente, os fardos de palha foram banidos como forma de proteção aos choques. Hoje em dia, em sua honra, existe um prêmio com o seu nome, premiando o melhor piloto italiano em cada ano que passa, e já foi ganho por pilotos como Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli.

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