O GP da Itália apresentava todos os frequentadores do Campeonato do Mundo de F1 e uma variedade de entradas adicionais, incluindo a terceira Ferrari para Ludovico Scarfiotti. Phil Hill tinha desaparecido da equipe Cooper e tinha sido substituído por John Love, piloto que tinha o aval de Ken Tyrrell (o gerente da equipe Cooper) na Fórmula Junior.
Surtees foi o mais rápido no qualifying e alinhou na primeira fila ao lado do Brabham de Dan Gurney e do BRM de Graham Hill. Jim Clark compartilhou a segunda fila com o Cooper de Bruce McLaren, enquanto a terceira linha foi constituida por Jo Siffert em sua Brabham-BRM privada, o Ferrari de Lorenzo Bandini (o vencedor da corrida anterior, na Áustria) e a Lotus de Mike Spence. No início da corrida, McLaren assumiu a liderança, sendo perseguido por Gurney e Surtees. Hill teve problemas e ficou parado após a largada, pela segunda corrida consecutiva, desta vez com uma falha de embreagem. O GP de Monza teve uma batalha emocionante pela primeira posição e McLaren acabou caindo para o terceiro lugar na corrida, atrás de Gurney e Surtees. Os dois conseguiram andar um pouco à frente e passaram a maior parte da corrida trocando de posição, até Gurney perder muito tempo com problemas no motor. McLaren e Clark tiveram uma batalha semelhante pelo terceiro lugar até a volta 27, quando Clark abandonou com falha no motor. A batalha pelo quinto lugar, nas primeiras voltas, era selvagem e continuou durante a maior parte do GP, até Jack Brabham finalmente ficar à frente. Quando Clark saiu da corrida, Brabham assumiu o quarto lugar, mas acabou se retirando na volta 59, também com falha no motor. Isso fez com que Bandini e Ginther travassem uma batalha para o que seria o terceiro lugar até o fim da corrida. Surtees venceu, com mais de um minuto de diferença para McLaren, segundo colocado, enquanto Bandini foi o terceiro ao bater Ginther por um décimo de segundo. A vitória de Surtees iria colocá-lo na disputa pelo Campeonato Mundial de F1, quatro pontos atrás de Graham Hill e apenas dois atrás de Jim Clark. Surtees seria campeão no fim desta temporada.
A temporada de 1962 ficou marcada por dois fatos importantes: a ausência de vitórias por parte da Ferrari e o acidente automobilístico (Goodwood) que aposentou precocemente Stirling Moss. Graham Hill da BRM ficou com o título mundial.
Já em 1963, Jim Clark e sua equipe, a Lotus, sobraram no campeonato de Fórmula 1. Clark venceu sete corridas e ficou vinte e cinco pontos a frente do segundo colocado, Graham Hill.
A boa surpresa do ano foi a equipe Brabham (criada um ano antes, por Jack Brabham) ficou em terceiro lugar no mundial de construtores.
Para a Ferrari, o ano não foi dos melhores, mas a equipe voltou a vencer uma prova na categoria mais importante do automobilismo.
Em Nurburgring, Jim Clark, novamente, foi dominante na fase de qualificação, embora ele tenha sido batido pela Ferrari de John Surtees.Também na primeira fila estava o carro da Scuderia Centro Sud de Lorenzo Bandini, que era mais rápido do que o BRM de Graham Hill.Bruce McLaren (Cooper) partilhou a segunda fila com Ritchie Ginther (BRM) e o segundo Ferrari, dirigido na ocasião por Willy Mairesse.Jack Brabham teve que dividir a terceira fila com Jo Siffert da Lotus-BRM, Tony Maggs da Cooper e Ireland da British Racing Partnership Lotus.
No início da corrida, Clark foi para a liderança, enquanto Brabham foi deixado para trás no grid.No decorrer da primeira volta, no entanto, Clark enfrentou problemas de motor e Ginther assumiu a liderança com Surtees em segundo, ainda no final da volta.Na segunda volta, Ginther (BRM) sofreu com problemas na caixa de marchas e acabou sendo ultrapassado por Surtees, Clark, Hill e McLaren.Na mesma volta Mairesse bateu fortemente no Flugplatz, matando um dos homens das ambulâncias e sofrendo ferimentos graves que acabaram por encerrar sua carreira na Fórmula 1.
Uma volta mais tarde, McLaren bateu forte no mesmo local, ao perder o controle de seu carro.Ele chegou a ficar inconsciente e sofreu lesões no joelho. Graham Hill também teve problemas com a caixa de marchas e se retirou do GP.
Embora Clark ainda lutasse pela liderança com Surtees, seu Lotus ja se mostrava incapaz de ultrapassá-lo por falhas no sistema de ignição e, gradualmente, começou a cair para trás no grid.Tudo isso, acabou deixando Ginther em terceiro e Maggs em quarto. No entanto, o piloto da Cooper teve problemas de motor e perdeu posições, possibilitando à Siffert alcançar a quarto posição, até apresentar problemas de diferencial. O quarto lugar foi herdado pelo antigo Porche de Gerhard Mitter.
Surtees venceu a corrida, marcando a primeira vitória da Ferrari em quase dois anos.
Bandini nasceu quatro dias antes do Natal de 1935 na Líbia, então colônia taliana. Veio para a Itália aos três anos, e doze anos depois começou a sua carreira a bordo de um Fiat 1100, participando na Mille Miglia daquele ano, ganhando uma das categorias a bordo de um Lancia Appia Zagato. Logo a seguir, correu em carros de Formula Júnior (categoria que dava acesso a F1, naquela época) até ao ano de 1961, altura em que estreia na Formula 1 a bordo de um Cooper da Scuderia Centro-Sud. Não pontuou nesse ano, mas numa das corridas extra-campeonato, terminou em terceiro lugar. Isso foi o suficiente para ser visto por Enzo Ferrari, que o contratou para correr nos seus carros. Iria ser a sua casa para o resto da vida.
Bandini no Cooper T53-Maserati, em 1961
Em 1962, chama atenção ao acabar em terceiro no difícil GP do Mônaco. Foi o seu o seu único resultado de expressão naquele ano, na Formula 1. Os 4 pontos deram-lhe o 12º posto na classificação geral. Nos Sport-Protótipos, acaba em segundo lugar a Targa Florio, tendo como companheiro de equipe o seu compatriota Ludovico Scarfiotti (1936 – 1968).
Em 1963, volta para a Scuderia Centro-Sud, de Mimmo Dei, mas nela permanece pouco tempo. Enzo Ferrari volta a chamá-lo, desta vez para as 24 Horas de Le Mans, a bordo do modelo F 250 P, de novo com Ludovico Scarfiotti. Vencem a corrida, com 16 voltas de vantagem sobre o outro Ferrari de Jean Blanton. Na Targa Florio, repetem o segundo lugar do ano anterior. Na Formula 1, Bandini leva para casa três quintos lugares, dando-lhe a 10ª posição no campeonato, com 6 pontos.
O ano de 1964 vai ser o seu melhor ano na Formula 1, apesar do início ter sido desastroso. Só começa a pontuar no meio da temporada, no GP da Inglaterra, mas a partir daí, os bons resultados aparecem em sequência: vence em Zeltweg, na Áustria, o seu único GP, e acaba em terceiro em Monza e na Cidade do México. No final do campeonato, Bandini tinha 23 pontos, que lhe dão um quarto lugar na classificação final.
Em 1965, começa o campeonato com um segundo lugar em Mônaco, seu único podium naquele ano. Em outras competiçõe, teve mais sorte: depois de dois segundos lugares, vence finalmente a Targa Florio, desta vez acompanhado do seu compatriota Nino Vacarella. No campeonato, Bandini acumula 13 pontos, que lhe dão um sexto lugar na classificação final.
Em 1966 o inglês John Surtees sai da equipe Ferrari, e Bandini torna-se o piloto principal. Isso aumenta a responsabilidade sobre seus ombros. Mas não é por isso que continua a acumular bons resultados: é segundo em Mônaco, terceiro em Spa, fazendo as voltas mais rápidas nessas corridas, faz também a pole na França. Mas a vitória em casa, foi obtida por seu campanheiro Ludovico Scarfiotti. Os 12 pontos que conquistou deram-lhe o nono lugar na geral.
Em 1967, a Ferrari encontrava-se em uma situação crítica: os seus carros de Le Mans tinham sido batidos pelos Ford GT 40, já não era campeã do mundo de Formula 1 há mais de dois anos, e a pressão interna era grande, especialmente em relação a Bandini que, em termos mentais, não era dos melhores. Scarfiotti, um “gentlemen driver” de origens aristocráticas, era um dos sobrinhos de Giovanni Agnelli, o patrão da Fiat, e estava em alta. Para alguém vindo da classe trabalhadora, órfão de pai (um “partigani” fuzilado na II Guerra Mundial), isso começava a afetar a moral…
Mas o ano começava bem. Venceu as 24 Horas de Daytona, e os 1000 Km de Monza, com o neo-zelandês Chris Amon ao seu lado no modelo F 330 P4 da marca, e tudo parecia estar bem. A 7 de Maio de 1967, em Mônaco, Bandini partia para o seu primeiro GP do ano, confiante em um bom resultado.
Tudo estva acontecendo com previsto. Inicia dominando a prova, mas uma derrapada causada pelo óleo de um Brabham do seu fundador, Jack Brabham, faz com que caia para a terceira posição, atrás de Stewart e do neo-zelandês Dennis Hulme (1934-1992). Logo se recupera e ultrapassa o escocês, mas não alcança Hulme. As coisas continuam assim até à volta 82, altura em que, prejudicado pelas manobras de Pedro Rodriguez (1940-1971) e Graham Hill (1929-1975), não consegue ganhar terreno em relação a Hulme. Na chicane do porto, o carro de Bandini passa depressa demais e bate nos fardos de palha, incendiando-se. Três pessoas tentam apagar o fogo, entre eles, Giancarlo Baghetti, e quando o fazem, descobrem que Bandini tem queimaduras em 60 por cento do corpo. 72 horas mais tarde, a 10 de Maio, Bandini morre. Tinha 31 anos.
Na F1 participou de 42 Grandes Prêmios em sete temporadas, conseguiu uma vitória, uma pole-position, duas voltas mais rápidas, oito pódios e 58 pontos no total.
Depois deste incidente, os fardos de palha foram banidos como forma de proteção aos choques. Hoje em dia, em sua honra, existe um prêmio com o seu nome, premiando o melhor piloto italiano em cada ano que passa, e já foi ganho por pilotos como Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli.