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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Jacky Ickx em Cidade do México (1970): quadragésima sexta vitória da Ferrari


     A temporada de 1970 chegava ao seu final, em toda a sua glória e tragédia, na Cidade do México. Jochen Rindt iria ser coroado em circunstâncias únicas, pois tinha morrido antes de saber, mas já imaginava, tal o domínio que tinha exercido nessa temporada. O piloto austríaco, vencedor por cinco vezes nessa temporada, tinha sido a mais recente vitima mortal dos vários acidentes fatais daquele ano, que tinham levado também as vidas de Bruce McLaren e Piers Courage.


      Na Cidade do México, máquinas e pilotos preparavam-se para correr a 13ª e última corrida do ano, num pelotão diminuído para dezoito máquinas, dado que os organizadores não permitiam, pois os prêmios das inscrições não dariam para mais. Assim sendo, somente as equipas oficias da Lotus (Emerson Fittipaldi e Reine Wissel), Tyrrell (Jackie Stewart e Francois Cevért), March (Jo Siffert e Chris Amon), Matra (Henri Pescarolo e Jean-Pierre Beltoise), BRM (Jackie Oliver e Pedro Rodriguez), Ferrari (Jacky Ickx e Clay Regazzoni), McLaren (Dennis Hulme e Peter Gethin), Brabham (Jack Brabham e Rolf Stommelen) e Surtees (John Surtees) estavam presentes. A exceção privada era Graham Hill, no seu Lotus 72C inscrito pela Rob Walker Racing.
     Na qualificação, o melhor foi o Ferrari de Clay Regazzoni, com o Tyrrell de Jackie Stewart a seu lado. Na segunda fila estavam Jacky Ickx, no segundo Ferrari, com Jack Brabham, aos 44 anos e na sua corrida final, em quarto. Chris Amon era o quinto, seguido pelo Matra de Beltoise, o BRM de Rodriguez, o Lotus de Graham Hill, o March de Francois Cevért e o McLaren de Peter Gethin.


     No dia da corrida, mais de 200 mil pessoas chegaram desde as primeiras horas do dia para a zona de Magdalena Mixhuca para assistir ao Grande Prêmio. Cedo as arquibancadas ficaram cheias e o pessoal começou a sentar em vários lugares: nos guard-rails, nas bermas... uma invasão de pista era possivel e o risco do cancelamento da corrida por excesso de público era bem real. Mas os organizadores pensaram que isso poderia levar a uma revolta popular e pediram a Jackie Stewart e Pedro Rodriguez para que percorressem o circuito para acalmar os ânimos e pedir às pessoas para que recuassem um pouco para que a corrida pudesse ser realizada.

      Quando conseguiram, os pilotos entraram dentro dos carros e com algum atraso, a corrida iniciou-se, com Ickx sendo mais rápido do que Regazzoni, tomando-lhe a liderança, com o suiço caindo para terceiro, atrás de Stewart. A corrida prosseguia, com as multidões relativamente controladas, e com Stewart perseguindo Ickx, com Regazzoni e Brabham atrás. Na volta 35, aquilo que temiam, de uma certa forma, aconteceu: um cão vagueava na pista quando Stewart o viu e não conseguiu evitar, matando-o e danificando a sua suspensão. O escocês saiu da prova, e os Ferrari ficavam cada vez mais isolados, a caminho de uma dobradinha.

     Atrás, Jack Brabham viu as hipóteses de uma despedida em grande estilo, irem embora na volta 53 quando o seu motor explodiu, fazendo com que o McLaren de Dennis Hulme herdasse o posto. À medida que a corrida chegava ao fim, novo perigo estava à vista: as multidões tinham saltado de novo as barrreiras e aproximavam-se da pista de forma perigosa, e quando na volta 65, a bandeira quadriculada foi mostrada, estes invadiram a pista.


     No final, Ickx e Regazzoni comemoraram a terceira dobradinha da escuderia de Maranello em seis corridas, com Hulme no lugar mais baixo do pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o March de Chris Amon, o Matra de Jean Pierre Beltoise e o BRM de Pedro Rodriguez. No final, o comportamento do público naquela tarde teve sérias consequências: a FIA decidiu retirar do calendário a corrida mexicana, o que aliado, uns meses depois, à morte de Rodriguez, levou ao fato de que o GP do México só regressasse dezesseis anos depois, no mesmo autódromo, agora rebatizado de "Autodromo Hermanos Rodriguez".
     Melhores momentos do GP:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

In Memoriam: Lorenzo Bandini (07/05/1967)


    Bandini nasceu quatro dias antes do Natal de 1935 na Líbia, então colônia taliana. Veio para a Itália aos três anos, e doze anos depois começou a sua carreira a bordo de um Fiat 1100, participando na Mille Miglia daquele ano, ganhando uma das categorias a bordo de um Lancia Appia Zagato. Logo a seguir, correu em carros de Formula Júnior (categoria que dava acesso a F1, naquela época) até ao ano de 1961, altura em que estreia na Formula 1 a bordo de um Cooper da Scuderia Centro-Sud. Não pontuou nesse ano, mas numa das corridas extra-campeonato, terminou em terceiro lugar. Isso foi o suficiente para ser visto por Enzo Ferrari, que o contratou para correr nos seus carros. Iria ser a sua casa para o resto da vida.

                             Bandini no Cooper T53-Maserati, em 1961

     Em 1962, chama atenção ao acabar em terceiro no difícil GP do Mônaco. Foi o seu o seu único resultado de expressão naquele ano, na Formula 1. Os 4 pontos deram-lhe o 12º posto na classificação geral. Nos Sport-Protótipos, acaba em segundo lugar a Targa Florio, tendo como companheiro de equipe o seu compatriota Ludovico Scarfiotti (1936 – 1968).

     Em 1963, volta para a Scuderia Centro-Sud, de Mimmo Dei, mas nela permanece pouco tempo. Enzo Ferrari volta a chamá-lo, desta vez para as 24 Horas de Le Mans, a bordo do modelo F 250 P, de novo com Ludovico Scarfiotti. Vencem a corrida, com 16 voltas de vantagem sobre o outro Ferrari de Jean Blanton. Na Targa Florio, repetem o segundo lugar do ano anterior. Na Formula 1, Bandini leva para casa três quintos lugares, dando-lhe a 10ª posição no campeonato, com 6 pontos.

     O ano de 1964 vai ser o seu melhor ano na Formula 1, apesar do início ter sido desastroso. Só começa a pontuar no meio da temporada, no GP da Inglaterra, mas a partir daí, os bons resultados aparecem em sequência: vence em Zeltweg, na Áustria, o seu único GP, e acaba em terceiro em Monza e na Cidade do México. No final do campeonato, Bandini tinha 23 pontos, que lhe dão um quarto lugar na classificação final.

     Em 1965, começa o campeonato com um segundo lugar em Mônaco, seu único podium naquele ano. Em outras competiçõe, teve mais sorte: depois de dois segundos lugares, vence finalmente a Targa Florio, desta vez acompanhado do seu compatriota Nino Vacarella. No campeonato, Bandini acumula 13 pontos, que lhe dão um sexto lugar na classificação final.

[Bandini+1966.jpg]

     Em 1966  o inglês John Surtees sai da equipe Ferrari, e Bandini torna-se o piloto principal. Isso aumenta a responsabilidade sobre seus ombros. Mas não é por isso que continua a acumular bons resultados: é segundo em Mônaco, terceiro em Spa, fazendo as voltas mais rápidas nessas corridas, faz também a pole na França. Mas a vitória em casa, foi obtida por seu campanheiro Ludovico Scarfiotti. Os 12 pontos que conquistou deram-lhe o nono lugar na geral.

     Em 1967, a Ferrari encontrava-se em uma situação crítica: os seus carros de Le Mans tinham sido batidos pelos Ford GT 40, já não era campeã do mundo de Formula 1 há mais de dois anos, e a pressão interna era grande, especialmente em relação a Bandini que, em termos mentais, não era dos melhores. Scarfiotti, um “gentlemen driver” de origens aristocráticas, era um dos sobrinhos de Giovanni Agnelli, o patrão da Fiat, e estava em alta. Para alguém vindo da classe trabalhadora, órfão de pai (um “partigani” fuzilado na II Guerra Mundial), isso começava a afetar a moral…

    Mas o ano começava bem. Venceu as 24 Horas de Daytona, e os 1000 Km de Monza, com o neo-zelandês Chris Amon ao seu lado no modelo F 330 P4 da marca, e tudo parecia estar bem. A 7 de Maio de 1967, em Mônaco, Bandini partia para o seu primeiro GP do ano, confiante em um bom resultado.

    Tudo estva acontecendo com previsto. Inicia dominando a prova, mas uma derrapada causada pelo óleo de um Brabham do seu fundador, Jack Brabham, faz com que caia para a terceira posição, atrás de Stewart e do neo-zelandês Dennis Hulme (1934-1992). Logo se recupera e ultrapassa o escocês, mas não alcança Hulme. As coisas continuam assim até à volta 82, altura em que, prejudicado pelas manobras de Pedro Rodriguez (1940-1971) e Graham Hill (1929-1975), não consegue ganhar terreno em relação a Hulme. Na chicane do porto, o carro de Bandini passa depressa demais e bate nos fardos de palha, incendiando-se. Três pessoas tentam apagar o fogo, entre eles, Giancarlo Baghetti, e quando o fazem, descobrem que Bandini tem queimaduras em 60 por cento do corpo. 72 horas mais tarde, a 10 de Maio, Bandini morre. Tinha 31 anos.

[Bandini+2.jpg]



     Na F1 participou de 42 Grandes Prêmios em sete temporadas, conseguiu uma vitória, uma pole-position, duas voltas mais rápidas, oito pódios e 58 pontos no total. 

     Depois deste incidente, os fardos de palha foram banidos como forma de proteção aos choques. Hoje em dia, em sua honra, existe um prêmio com o seu nome, premiando o melhor piloto italiano em cada ano que passa, e já foi ganho por pilotos como Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli.

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